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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

“Um dos maiores cartões de apresentação da Igreja do Porto”


É um adequado epíteto com que Dom Manuel Linda, Bispo do Porto, caraterizou o seu antecessor Dom António Francisco na homilia da Missa a que presidiu na Sé Catedral do Porto, pelas 19 horas do dia 11, pelos bispos, sacerdotes e diáconos da diocese falecidos, e que marcou o segundo aniversário da morte do saudoso prelado, a 11 de setembro de 2017.
Na predita celebração, estiveram presentes: Dom Pio Alves, Bispo auxiliar, Dom António Taipa, Bispo auxiliar emérito e Dom Vitorino Soares, Bispo auxiliar nomeado pelo Papa Francisco e que será ordenado no próximo domingo dia 29 de setembro, e muitos sacerdotes.
Na homilia, o prelado portuense, comentando as bem-aventuranças, salientou cinco aspetos que julga essenciais: caraterizam o verdadeiro discípulo; assinalam uma dificuldade do presente que será alegria de futuro; definem o conceito de “justo” dizendo que “justo” é aquele que cumpre as bem-aventuranças; são a carta magna do reino de Deus, pois, o reino do mundo é de violência (Neste particular, recordou o 18.º aniversário do ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque e o recente homicídio da Irmã Antónia, religiosa da Congregação das Servas de Maria, que vivia o carisma de missionária dos enfermos); e são a certeza que Deus não esquece os sofredores.
De Dom António Francisco dos Santos frisou Dom Manuel Linda que foi exemplo da vivência das bem-aventuranças através de uma “simplicidade” contagiante e atrativa. Assinalou que a “simplicidade” é aquilo que “cativa”, enquanto “a soberba afasta”. Afirmou três caraterísticas que Dom António Francisco soube levar a todos os trabalhos e missões que serviu, em particular, na diocese do Porto: a doçura, a mansidão e a misericórdia. E, fazendo memória de todos os ministros ordenados que serviram a diocese, nesta celebração que os recordou particularmente, declarou ser Dom António Francisco um verdadeiro exemplo desse serviço.
E evocando o lema episcopal de Dom António Francisco dos Santos, “In manus Tuas”, o presidente da celebração declarou, no final da sua homilia, que o antigo bispo do Porto é “um dos maiores cartões de apresentação da Igreja do Porto”.
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Esta efeméride ficou marcada também pela segunda edição do Prémio Dom António Francisco, no valor de 75 mil euros, que vai ser atribuído, desta feita, à APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), segundo anunciaram os promotores do galardão. Como se lê num comunicado enviado à agência Ecclesia, “o projeto selecionado representa uma causa que merece sempre a maior atenção e cuidado de toda a sociedade” e “o trabalho desenvolvido por esta associação cumpre de forma exemplar os objetivos deste prémio”.
Na verdade, a APAV é uma instituição particular de solidariedade social, pessoa coletiva de utilidade pública, que tem como objetivo promover (e contribuir para) a informação, proteção e apoio aos cidadãos vítimas de infrações penais, uma organização sem fins lucrativos e de voluntariado que apoia, de forma individualizada, qualificada e humanizada, vítimas de crimes, através da prestação de serviços gratuitos e confidenciais.
O júri do Prémio Dom António Francisco é constituído pelo presidente da Associação Comercial do Porto, pelo presidente da Irmandade dos Clérigos e pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, que o atribuíram nesta segunda edição à associação fundada a 25 de junho de 1990 e que tem sede em Lisboa, mas que é de âmbito nacional.
Pelo segundo ano consecutivo, na data que assinala dois anos do falecimento de Dom António Francisco dos Santos (11 de setembro de 2017) foi atribuído este prémio “em homenagem a um homem que deixa uma enorme saudade”, o Bispo do Porto, desde 2014, que faleceu aos 69 anos, na Casa Episcopal da diocese, na sequência de um problema cardíaco.
Com um valor de 75 mil euros, o Prémio Dom António Francisco é uma iniciativa solidária da Associação Comercial do Porto, da Irmandade dos Clérigos e da Santa Casa da Misericórdia do Porto que se destina a apoiar cidadãos e projetos que se distingam na “promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz”.
Na sua primeira edição foram distinguidos projetos de apoio aos refugiados e população desfavorecida na cidade do Porto – Centro de São Cirilo e o trabalho do Serviço Jesuíta aos Refugiados na Unidade Habitacional de Santo António, dos Jesuítas.
A data da cerimónia de entrega do prémio “será anunciada oportunamente”.
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A Diocese do Porto encontrou ainda outra forma de fazer memória do Bispo que vem homenageando. Assim, às 21 horas do dia 11, no auditório do Palácio da Bolsa, procedeu-se à apresentação do livro “Caminhando com Dom António Francisco dos Santos, a propósito de um monumento em Tendais”, da autoria de Bernardo Corrêa d’Almeida.
A apresentação foi confiada ao Cónego Jorge Teixeira da Cunha, presidente do Cabido da Sé e Professor de Teologia Moral da Universidade Católica. A obra reuniu a colaboração de várias pessoas, entre as quais Dom António Taipa, Bispo auxiliar emérito do Porto, que prefaciou o livro e o pintor António Bessa, autor da imagem da capa e de retratos de António Francisco.
No próximo domingo, dia 15 de setembro, a mesma publicação vai ser apresentado às 16 horas na biblioteca da Câmara Municipal de Cinfães, de onde era natural Dom António Francisco, mais concretamente da Paróquia de Tendais (Diocese de Lamego), paróquia para quem revertem os lucros do novo livro, já que foi ela que se responsabilizou pela edição.
Falando na apresentação do livro dedicado ao seu antecessor, o Bispo do Porto disse que Dom António Francisco dos Santos, falecido em 2017, fez com que muitas instituições “começassem a ver a Igreja doutra maneira”. E explicitou:
Na sua forma simpática, cordial, dialogante, sorridente, com aquela ternura que não é um artifício, mas é algo que brota de uma coração trabalhado, ele foi capaz de colocar-se como ponto de atração, a que as pessoas não resistiam”.
Mais reiterou que o falecido bispo é “um cartão de apresentação da diocese” e “um exemplo de candura”. E, segundo a ‘Voz Portucalense’, Dom Manuel Linda recordou o sorriso, a simpatia e capacidade de diálogo do prelado natural da Diocese de Lamego.
O autor do novo livro Frei Bernardo Corrêa D’Almeida, professor de Exegese e Teologia Bíblica na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, agradeceu os testemunhos das diversas personalidades que apresenta na publicação e lembrou a atitude dócil do antigo bispo diocesano.
O presidente do Cabido da diocese portuense, que apresentou o livro, destacou a “memória de alguém que marcou a cidade do Porto” e referiu-se a Dom António Francisco como o “amigo bispo inesquecível”, “uma figura de homem de Deus, caraterizada pela sua bondade, um avaliador fino e justo das pessoas, que se gastou depressa ao serviço de todos nós”.
Para o presidente da Associação Comercial do Porto, Nuno Botelho, que recebeu este evento, Dom António Francisco dos Santos foi alguém “que se aproximou de forma muito rápida do coração” e percebeu “a importância do tecido empresarial na construção do que é a nossa rede social”, marcando “de forma indelével a vida da associação e da cidade”.
A Rádio Renascença destacou a presença de Pinto da Costa que disse que o antigo Bispo do Porto “era um grande amigo”. “Quando falava, sentíamos que estávamos a falar na terra com um santo”, afirmou o presidente do FC Porto à margem da apresentação de ‘Caminhando com Dom António Francisco dos Santos – A propósito de um monumento em Tendais’.
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Por fim, é de salientar o testemunho do Padre José Pedro Azevedo, que foi chefe de gabinete de Dom António Francisco e que a Voz Portucalense’ acaba de publicar.
Pressupondo que nos arriscamos “a deixar de existir”, se prescindirmos da memória do tempo, que “somos hoje o que os outros nos deixaram como legado e que é com a memória que construímos o futuro”, aplica a Dom António Francisco as seguintes palavras do profeta Zacarias: “Assim fala o Senhor do Universo: Virão de novo a Jerusalém povos e habitantes de grandes cidades” (Zc 8,20). E diz que tais palavras “proféticas e carregadas de esperança se concretizarão no Porto pela semente lançada à terra em tempo oportuno” pelo Bispo de saudosa memória, sendo que a sociedade portuense lho reconhece, “crentes e menos crentes, todos”.
Se “nenhuma vida surge ao acaso”, em Dom António “esta verdade era evidente”, pois “tocou o coração de todos os que com ele se encontraram”. E o sacerdote confessa:
Atingiu profundamente o meu coração como uma ‘seta que voa de dia’ (Sl 91,5) e alargou-o à medida maior da dor e do amor, porque todos nós precisamos de sinais para chegar a Jerusalém, à cidade santa, à Casa de Deus. Todos precisamos de quem nos dê a direção e aplane o caminho. Isto só acontece na simplicidade e na humildade que Jesus um dia referiu em relação às crianças.”.
Do cristão desafiante e fascinante, que “não defraudou a quem procura o Senhor” e que “nos deixa o odor da santidade”, o Padre José Pedro evoca três traços caraterísticos.
- Crente, cuja “vida partia de Deus e acabava em Deus”. Qualquer saída de casa e qualquer chegada a casa passava pela capela; qualquer preocupação era colocada sob o manto protetor de Nossa Senhora (“tantos papelinhos naquela Imagem!”); e “a oração era sempre o seu combustível e era a sua única força”, segundo o princípio inaciano “Reza como se tudo dependesse de Deus, mas trabalha como se tudo dependesse de ti”.
- Testemunha incansável do amor de Deus. “Não havia ninguém doente e que ele soubesse, a ficar por visitar, mesmo nos dias mais difíceis, nem que para isso tivesse de não jantar”.
- Bondade, com “um coração como o coração de Jesus, onde todos cabiam e onde ninguém, mas mesmo ninguém podia ficar de fora”, lutando todos os dias “para que a única medida fosse a misericórdia, sempre e em todas as circunstâncias” e tendo a sua vida toda sido “um magnífico compêndio duma teologia da bondade”, que valia a pena estudar.
E o Padre Azevedo assegura:
A Oração, a Caridade e a Bondade são imprescindíveis para todo o cristão, a chave para continuarmos a subir a Jerusalém, caminho da Cruz e porta da Ressurreição e para cumprirmos o testamento que Dom António Francisco em Fátima nos deixou: ‘Igreja do Porto: Vive esta hora, que te chama, guiada pelas mãos de Maria, a ir ao encontro de Cristo e a partir de Cristo a anunciar com renovado vigor e acrescido encanto a beleza da fé e a alegria do Evangelho. Viver em Igreja esta paixão evangelizadora é a nossa missão. A vossa e a minha missão’!”.
E conclui:
Passam dois anos do fim da sua santa viagem, mas a sua vida não terminou, porque não cabe no tempo e enquanto não nos virmos rezo como o salmista: “Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração” (Sl 90,12).
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São testemunhos espirituais, académicos e sociais que dão conta da inquestionável respiração evangélica e do odor de santidade que perpassa a vida e a memória deste santo prelado, honra da Igreja e orgulho dos colegas.
2019.09.12 – Louro de Carvalho

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

No 1.º aniversário da morte de Dom António Francisco dos Santos


Depois da grande homenagem prestada, na sua terra natal, pela Igreja – mormente a das dioceses onde exerceu o seu apostolado e ação pastoral (a 29 de agosto, dia do 70.º aniversario do seu nascimento) – e pelas forças politicas, civis e desportivas, bem como da evocação que da sua vida fez o Presidente da Conferência Episcopal no âmbito do Simpósio do Clero de 2018, o dia 11 de setembro de 2018, o 1.º aniversário da morte de Dom António Francisco dos Santos, ficou marcado por algumas iniciativas de grande e múltiplo significado.
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São de assinalar as celebrações eucarísticas em sufrágio por ele, merecendo destaque a que foi acolhida pela Sé Catedral do Porto em que, na homilia, Dom Manuel Linda, Bispo do Porto recordou o “exemplo de simplicidade” do seu predecessor, Dom António Francisco, vincando:
A vida dele era de simplicidade, se alguma coisa o caraterizava era a simplicidade, tão simples que as pessoas gostavam. Não gostam, de facto, das coisas complicadas, mas da simplicidade que lhe vinha, porventura da natureza dele, mas trabalhada pela dimensão religiosa.”.
Mais referiu o Bispo do Porto que a simplicidade de Dom António Francisco era “um dado trabalhado pela profunda espiritualidade”, frisando que, enquanto as crianças “encontram tudo no pouco”, os homens adultos encontram “pouco no tudo” e, por isso, desprezam Deus. E, perante as centenas de pessoas que participavam na missa desenvolveu:
A simplicidade é a primeira ordem das coisas, Deus é simples, nós é que complicamos, é que complexizamos a realidade e daqui geramos angústia”.
Segundo Dom Manuel Linda, a figura de António Francisco congregou a diocese, como alguém que “não se afasta da multidão, nem a multidão dele”, porque dele saía uma força que “a todos sarava”, transmitia o “ânimo, contentamento”, que “só os grandes são capazes de transmitir”. Mas advertiu, ancorado na atitude de Jesus” que “manda ser prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” que “a simplicidade maior não é apenas a relação com as coisas, é no modo de ser e viver”. E observou que “a sinceridade é a forma da verdadeira grandeza”.
E ficou decidido que a data de 11 de setembro passará a ser o dia anual de sufrágio pelos bispos, sacerdotes e diáconos já falecidos, na Diocese do Porto – mudança em relação ao atual uso que dava a data de 29 de setembro, dia do aniversário da morte de Dom Armindo Lopes Coelho.
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Tanto a Voz Portucalense como o Jornal de Notícias, a Rádio Renascença e o Vatican News, bem como outros órgãos de Comunicação Social deram relevo, por estes dias, à vida e ação do antigo Bispo do Porto e de iniciativas promovidas em torno da sua memória.  
Assim, no dia 11 de setembro de 2018, um ano após a morte de Dom António Francisco dos Santos, procedeu-se à primeira edição do Prémio que homenageia o Bispo que liderou a diocese do Porto entre 2014 e 2017, que foi atribuído à Companhia de Jesus em reconhecimento do seu trabalho no campo dos migrantes e dos refugiados, com relevância para a obra desenvolvida na cidade do Porto e como referência de amor ao próximo e de solidariedade.
Esta iniciativa solidária – da Irmandade do Clérigos, da Santa Casa da Misericórdia do Porto e da Associação Comercial do Porto (Palácio da Bolsa) – tem um valor de 75 mil euros e destina-se a apoiar organizações e cidadãos que se distingam na promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos, no diálogo inter-religioso e ecuménico e na promoção da paz.
Neste ano, são galardoados, em particular os seguintes serviços da Companhia de Jesus de apoio a migrantes e refugiados: Centro Comunitário São Cirilo, uma comunidade de inserção criada pelos jesuítas no Porto para acolher e (re)capacitar pessoas e famílias estrangeiras e nacionais a passar por fase temporária de fragilidade social (pessoas despejadas das suas casas, sem-abrigo, que querem sair da rua e encontrar trabalho, estrangeiros que perdem o emprego e sem retaguarda familiar de suporte, entre outras), tendo, desde a abertura oficial (a 4 de janeiro de 2010), ajudado mais de 6000 pessoas de 113 nacionalidades e conseguido mais de 300 colocações em emprego; e Centro de Instalação Temporária para migrantes em situação irregular (detenção administrativa), Unidade Habitacional de Santo António (UHSA) da responsabilidade do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) no Porto – centro apoiado pelo Serviço Jesuíta de apoio a Refugiados (JRS) na sequência de Protocolo de Colaboração entre o Ministério da Administração Interna/SEF e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) – com capacidade para alojar 30 adultos e 6 crianças, albergando pessoas que receberam ordem de afastamento do país por estarem em situação irregular e que aguardam a efetivação da medida.
Sobre o Centro São Cirilo, o Padre Luís Ferreira do Amaral, presidente da direção, revelou ao semanário Voz Portucalense a satisfação pelo reconhecimento conferido pelo Prémio, dizendo:
Foi com grande alegria que nós tomamos conhecimento deste Prémio e serve para confirmação do trabalho no Centro Comunitário São Cirilo. E também por esta causa que é tão atual no apoio a pessoas nacionais, internacionais, migrantes e refugiados. Pessoas que precisam de ajuda. Este Prémio confirma o nosso trabalho.”.
E o sacerdote, confessando também sentir uma “certa responsabilidade pelo trabalho futuro” que vierem a desenvolver no Centro, salientou que Dom António Francisco era “um bispo muito querido nesta diocese”, alguém “que demonstrava claramente uma preocupação social, com os mais fracos e com os mais pobres”..
Por sua vez, do trabalho dos jesuítas no âmbito da Unidade Habitacional Santo António, o Dr. André Costa Jorge, diretor do JRS em Portugal, falou ao mesmo semanário, declarando:
Enorme gratidão e reconhecimento pela atribuição do Prémio ao nosso trabalho no Porto no âmbito do acompanhamento que fazemos a migrantes que estão em espaço de detenção administrativa. Um trabalho muitas vezes difícil e silencioso sobre o qual tem sido feita uma reflexão profunda em todo o mundo. Concretamente, em Portugal, temos este trabalho de acompanhamento. É um motivo de grande orgulho.”.
E, acentuando a vulnerabilidade e fragilidade dos migrantes ou refugiados que vivem a situação de detenção administrativa, recordou a grande visão cristã e humana de Dom António Francisco e as suas constantes palavras “que nos desafiavam muito a sermos criativos, a sermos ousados na ação que fazemos”. De facto, o apoio psicossocial do JRS na UHSA centra-se sobretudo na redução da ansiedade e do stress vividos pelos detidos na adaptação às instalações da Unidade, na preparação para o regresso aos países de origem e na elaboração de projetos de vida.
O Padre Américo Aguiar, presidente da Irmandade dos Clérigos, disse aos jornalistas:
Queremos que no Porto se faça a diferença, a cidade que fez das tripas coração queremos que continue o apoio aos mais desprotegidos”.
O sacerdote, assegurando que “foi uma alegria descobrirmos o quanto de bem se faz na nossa cidade, explicou que foi uma realidade que descobriram e quiseram “divulgar e premiar” para que seja “o dia a dia cada vez mais próximo daqueles” que, como dizia um galardoado ao citar Dom António Francisco, “os pobres não podem esperar”.
E, referindo que o “prémio material pretende ser um investimento em boas ações, em bem-fazer”, o presidente da Irmandade dos Clérigos frisou que, nos últimos tempos, “sempre que há eleições na Europa, é uma aflição, um sofrimento”, pelo que entende que se tem de fazer “o trabalho de casa” e todos – sociedade, Igreja, políticos, partidos – não podem “só ficar aflitos quando o fogo está a chegar às calças”. Depois, observou:
Às vezes surgem alguns incidentes que colocam os portugueses como racistas, xenófobos, mas na nossa matriz existe o encontro de cada um com os outros e, como dizia Dom António, “todos cabemos no coração de Deus”.
Por seu turno, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto recordou que a instituição a que preside tinha de ser uma das promotoras do prémio, afinal, “sempre se identificou muito” na maneira de “estar e ser” do falecido bispo do Porto e declarou:
Era uma pessoa muito dedicada ao próximo com o próximo; o facto de termos elegido os refugiados é uma mensagem que quisemos passar de paz, de cooperação”.
Para António Tavares, a Santa Casa da Misericórdia do Porto tem “plena consciência” de que existe “quem não tem acesso a níveis de qualidade de vida, de proteção social” e é nisso que têm “estado muito atentos” e a ser um “apoio a favor da dignidade da pessoa humana”.
Também o presidente da Associação Comercial do Porto, outra das entidades promotoras do prémio, realça que existem para “promover a ilustração e prosperidade da região”, sendo que a “coesão social é fator preponderante de desenvolvimento económico”. E, em relação ao Bispo, Nuno Botelho recorda que “emocionava a cada momento” as pessoas que estavam com o Bispo do Porto entre 2014 e 2017, e a sua forma de se relacionar com as pessoas e como “abordava os temas, os problemas, abria ainda mais os horizontes para essas necessidades”. E acrescentou:
É quase uma obrigação da cidade, enquanto Diocese do Porto, estar atenta ao legado que deixou de atenção aos próximos, de olhar a quem precisa e nunca esquecer que um dia podemos ser nós”.
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O jornalista Rui Saraiva escreveu na Voz Portucalense e disse ao Vatican News que a figura de Dom António Francisco no último ano já foi motivo da atribuição do nome de uma futura ponte sobre o rio Douro a ligar os territórios dos municípios de Porto e Vila Nova de Gaia e de uma sentida homenagem na sua terra natal com a inauguração dum belo e eloquente monumento em sua memória. E isto porque a sua ação pastoral na diocese do Porto “foi intensa, próxima e profundamente evangélica”. E elegeu quatro momentos marcantes do seu incansável trabalho na diocese: o plano diocesano de pastoral, a visita aos doentes, a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, a Peregrinação Diocesana a Fátima.
Segundo o jornalista, Dom António Francisco “marcou a sua ação no Porto com uma enorme capacidade de visão estratégica e planeamento” a que “dava uma dimensão pastoral traduzida em caminho a percorrer no tempo”. O Plano Pastoral quinquenal apresentado em 2015 iniciou esse caminho com o lema “A alegria do Evangelho é a nossa missão”, que ele queria percorrer rumo ao Sínodo Diocesano, colhendo inspiração na Exortação Apostólica do Papa Francisco “Evangelii Gaudium”. Assim, o prelado preconizou que a Diocese caminhasse com um grande objetivo: “A Igreja Diocesana, marcada pela alegria do Evangelho, que nasce do encontro com Cristo, renova-se em missão, para irradiar a esperança e servir na caridade”.
Iniciando este percurso, embalado pelo Ano Santo da Misericórdia proposto pelo Papa Francisco, o Prelado deu um lema forte e significativo ao caminho de 2015/16 “Felizes os misericordiosos!”. O ano 2016/17 avançou com o lema “Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria!”. E 2017/18, o último ano percorrido sem Dom António, seguiu com o grande lema “Movidos pelo amor de Deus!”. Estas etapas anuais, com suas atividades, encontros e momentos, levaram a Igreja do Porto a percorrer caminho em conjunto, um caminho “sinodal” que na sua última fase fosse o que Bispo assinalara: “Um caminho sinodal aberto a todos!”.
Uma constante na vida pastoral de Dom António Francisco na diocese foi a Visita aos doentes, preocupação diária a que se entregava “envolvido pelo acolhimento aos mais necessitados”. Quando visitava alguém num hospital da cidade ou da diocese, visitava também os restantes doentes da enfermaria, deixando todos deixava uma palavra, um carinho, um sorriso.
De memória prodigiosa, as visitas a hospitais e outras instituições de saúde e de acolhimento de idosos “permitiram municiá-lo dos pormenores necessários para aumentar o seu âmbito de contacto e de comunicação”. E vinca o jornalista:
Tinha uma postura personalizada. Cada pessoa era um alvo da sua atenção, do seu olhar e da sua ternura. Não esquecia os nomes e os detalhes dos encontros e isso permitia-lhe conhecer as pessoas, as suas histórias, as suas preocupações e necessidades. Em particular, nos hospitais Dom António Francisco já era uma visita normal. Os funcionários conheciam-no e saudavam-no logo que o viam cientes de que trazia calor humano para os doentes.”.
Em 2016, a Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima a todas as dioceses do país foi particularmente sentida na diocese portucalense de 10 de abril a 1 de maio. Nestes momentos de alegria e encontro, de oração e celebração, eivados pela profunda fé do povo, Dom António redobrou-se no contacto, no acolhimento e nas atividades desses dias. Dizia em 10 de abril na receção da imagem peregrina em Ovar:
Podemos dizer que a correspondência à presença da Virgem Maria na Igreja e nas nossas vidas, por vontade de Deus, é mais que mera devoção. Criatura de Deus, a primeira e a mais fiel dos discípulos, sinaliza caminhos de busca e de encontro com Jesus Cristo. Não é meta, nem é caminho: é companhia e vereda para o Caminho.
Mas o último momento de Dom António Francisco na Diocese foi a Peregrinação Diocesana a Fátima a 9 de setembro de 2017, uma etapa percorrida com os diocesanos antes de o seu coração o trair interrompendo o percurso iniciado em 2014. Com o seu falecimento a 11 de setembro, dois dias depois da peregrinação a Fátima, “transformaram-se em objeto de estudo os momentos, as palavras, as reflexões e as emoções ali vividas”. O Bispo colocava nesta iniciativa especial atenção e expectativa e, não esperando tanta gente e tanta esperança no coração dos seus diocesanos, “o seu olhar transbordava de fé e de alegria”, sabendo que “aquele momento era princípio de algo de novo para a diocese”. E as suas últimas palavras no Santuário de Fátima – imbuídas de natural gratidão – foram de agradecimento e missão:
Obrigado a todos os que mais uma vez, e desta forma tão bela, nos dizem pela presença, pela alegria, pela oração, pela generosidade e pelo trabalho e também pela ajuda económica que deram para esta realização, que por aqui passe o sonho de Deus e o caminho da Igreja do Porto. Sentimo-nos movidos pelo amor de Deus, queremos ser esperança e fermento de um mundo melhor e queremo-nos abençoados pela mãe de Deus. […] Convoco-vos a partir daqui e desta admirável peregrinação e abençoada jornada para a missão, mas é Jesus, o Enviado do Pai, que vos envia.”.
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O Padre Américo Aguiar, numa entrevista ao programa Ecclesia da RTP 2, transmitido a 11 de setembro, por entre momentos de tranquilidade e de emoção (longo tempo se lhe embargou a voz, ficando sem palavras), acentuou em Dom António a faceta da bondade e doçura vivenciadas no contacto com as pessoas sem olhar para o relógio e na relação com os agentes de bastidores para a administração e a ação pastoral; a paciência contra a eventual impaciência dos colaboradores; o profundo conhecimento das pessoas; a imagem de proximidade que deixou nos sítios mais improváveis; o seu empenho na educação da fé e nas vocações e o seu interesse pelos problemas da mobilidade humana. Disse que Dom António, em qualquer situação problemática ou num desafio que propunha, via sempre algo de positivo, por mais pequenino que fosse. E era assim que tentava contornar situações (e foram muitas) que lhe provocavam sofrimento. Mas a bondade mata – inferiu – e o coração não aguenta! E deu nota da edição dum livro em memória deste “Bispo inesquecível”, embora não insubstituível, um abecedário temático sobre o seu pensamento no Porto (realce para a bondade), da responsabilidade da instituição que preside.  
2018.09.12 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Padre e poeta, profeta e apóstolo


Ainda está fresca na retina da memória portuguesa a nomeação, pelo Papa Francisco, do Padre e poeta português José Tolentino Mendonça, ocorrida no passado dia 26 de junho, como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Santa Sé, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo e sucedendo na liderança daqueles serviços ao Arcebispo francês Jean-Louis Bruguès.
O Arquivo Secreto do Vaticano conserva os documentos relativos ao governo da Igreja para, antes de tudo, estarem à disposição da Santa Sé e da Cúria no desempenho do próprio trabalho, e para que depois, por concessão pontifícia, possam representar para todos os estudiosos de história fontes de conhecimento, mesmo profano, das regiões que há séculos estão intimamente ligadas com a vida da Igreja. E a Biblioteca Apostólica do Vaticano apresenta-se como “instrumento da Igreja para o desenvolvimento, a conservação e a divulgação da cultura” e, constituída pelos Papas, oferece, nas suas várias secções, “tesouros riquíssimos de ciência e de arte aos estudiosos que investigam a verdade”.
O sacerdote português, até agora vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e diretor da Faculdade de Teologia (por decreto de 22 de maio de 2018, da Congregação para a Educação Católica), foi ainda elevado à dignidade de Arcebispo de Suava, no Norte de África.
O novo Arcebispo, que iniciará funções como arquivista do Arquivo Secreto e bibliotecário do Vaticano no dia 1 de setembro, foi convidado para orientar o retiro anual de Quaresma do Papa Francisco e da Cúria Romana (que decorreu entre 18 e 23 de fevereiro, em Ariccia, nos arredores de Roma), convite que então o deixou tão surpreendido que achou ter “sonhado” com isso.
Conhecido por utilizar referências à literatura nas meditações religiosas, Dom José Tolentino Mendonça chegou a citar Fernando Pessoa nas meditações apresentadas ao Papa Francisco, que lhe agradeceu por conseguir estabelecer uma ponte entre os textos bíblicos e a literatura secular.
Considerando o convite do Papa como uma grande honra para a Igreja portuguesa, para Portugal e para a UCP, a reitora Isabel Gil Capeloa lembra, em comunicado, que Tolentino Mendonça tinha assumido o pelouro das relações culturais e bibliotecas da Católica nas últimas duas equipas reitorais. Segundo a reitora da UCP, o Professor “contribuiu para tornar a atividade artística um eixo central da ação da Universidade Católica Portuguesa, incentivando um diálogo renovado e fecundo com a sociedade através da sua intervenção cultural e literária” e trabalhou no desenvolvimento do Código de Ética e Deontologia da UCP.
O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé manifestou à agência Ecclesia a sua determinação de “servir a Igreja na Cultura”, referindo:
A Cultura faz-nos viajar à raiz arquitetural da pessoa, àquilo que constitui o núcleo fundante da sua aventura existencial, mas também nos permite interrogar e iluminar o seu horizonte de sentido”.
Dom José Tolentino Mendonça sustenta que a sua missão como “Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana” se insere numa tradição papal de “conservar num arquivo próprio a memória dos mártires e a gesta dos pastores, bem como os livros que asseguravam a atividade litúrgica e as necessidades administrativas da comunidade eclesial”. O Arcebispo salienta que há, desde o século VIII, notícias da existência duma biblioteca, enriquecida ao longo dos tempos com “monumentais e preciosos espólios”, que colocam a atual Biblioteca Apostólica Vaticana entre “as mais fascinantes instituições culturais do mundo”. Diz o novel prelado:
O arquivo e a biblioteca são assim lugares referenciais da memória específica do cristianismo, mas também da cultura universal; são espaços de ciência e de construção de pensamento, procurados por investigadores de todo o mundo que ali encontram o rastro da história e a capacidade que esta tem de iluminar o presente; são grandes repositórios daquela beleza capaz de ferir de infinito o coração humano”.
Para este colaborador do Papa, a Cultura é uma das “fronteiras proféticas” para o catolicismo de todos os tempos e, “de um modo talvez ainda mais incisivo, para o catolicismo contemporâneo”. Neste sentido, declarou:
A cultura documenta o que somos, é verdade. Mas espelha e potencia as grandes buscas interiores, o contacto com as grandes perguntas, a vizinhança das razões maiores que funcionam como patamares do caminho a que a nossa humanidade vai chegando, a proximidade daquele vastíssimo e inconsútil silêncio que, porventura ainda melhor do que a palavra, exprime em nós o mistério do Ser.”.
No pontificado de Francisco o Arcebispo destaca a “arte do encontro” que o Papa tem promovido e que encontra na Cultura “um espaço de desenvolvimento natural”, aliás na linha dos antecessores, embora com um tom muito próprio. E, sobre a cultura, diz neste sentido:
A Cultura, no seu sentido mais verdadeiro, é prática de escuta, de atenção, de intercâmbio e de interdependência; é exercício interminável de hospitalidade. Não admira que um dos serviços que a Igreja de cada tempo presta ao futuro seja, por isso, o investimento no diálogo entre a Fé e a Cultura, que constitui um horizonte inequívoco para uma apresentação credível do Evangelho ao coração das mulheres e dos homens nossos contemporâneos e uma reparadora fonte de esperança e de paz.”.
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Dom José Tolentino Mendonça nasceu em Machico (Região Autónoma da Madeira) em 1965 e foi ordenado sacerdote em 28 de julho de 1990. Deslocou-se para Roma, onde concluiu, no Pontifício Instituto Bíblico, o mestrado em Ciências Bíblicas. Regressado a Portugal, ingressou na UCP, onde foi capelão e lecionou as disciplinas de Hebraico e Cristianismo e Cultura. Aí se doutorou em teologia bíblica, tornando-se seu professor auxiliar. Dirigiu até ao ano de 2014 o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica em Portugal, de que foi o primeiro Diretor e a revista Didaskália editada pela Faculdade de Teologia. As linhas de investigação privilegiadas do teólogo e poeta são Bíblia e literatura, teologia de Paulo, representações de Jesus nos textos cristãos e na cultura contemporânea, a par do tema do corpo nos textos cristãos das origens.
O novo Arcebispo, consultor do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé) desde 2011, por designação de Bento XVI, era capelão na Capela do Rato e na UCP, foi reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, e era diretor da Faculdade de Teologia da UCP. O seu livro “A Mística do Instante” foi galardoado com o Prémio literário Res Magnae 2015, um importante prémio italiano atribuído no campo da ensaística. Foi o primeiro português e o único não italiano, até à data, a receber este prémio. Em 2016, a sua obra de cronista foi distinguida com o prémio APE e a sua obra poética com o Prémio Teixeira de Pascoaes. A 9 de junho de 2016, foi designado Membro do Conselho das Antigas Ordens Militares. E, em 2012, foi considerado um dos 100 portugueses mais influentes em 2012, pela REVISTA do jornal Expresso.
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Este padre poeta é um exemplo do que devia ser qualquer sacerdote: poeta, profeta e apóstolo.
Com efeito, Deus é poeta por Se comunicar-se por versos e metáforas. É certo que a Sua linguagem, carregada de símbolos, é hermética, misteriosa, para o coração duro e rude, e que, para O entender, se precisa de ouvido espiritual, sensível ao êxtase transcendental, mas, quando Deus declama, o universo dança, as donzelas e os jovens saltam de alegria, as crianças sorriem e gritam e os anciãos e anciãs têm sonhos e visões. E todos fazem associar-se a si a terra, o mar e o firmamento, os animais e plantas e as próprias pedras para enarrarem as maravilhas de Deus.
Por que nos criou à Sua imagem e semelhança, Deus põe os Seus olhos na procura e na mira de homens e mulheres disponíveis para encarnar os divinos sentimentos. Ora, nesta linha, vêm os profetas, que foram todos chamados e enviados por Deus para, por metáforas e imagens, porem dramaticamente o dedo nas chagas sociais, morais e religiosas cavadas pelos homens, anunciarem, na alegria do Espírito, o compromisso de Deus com a vida e construírem as sólidas plataformas da esperança messiânica, vindo, as plantas venenosas congraçar-se com as sãs, os animais opostos a juntar-se em convivência e as espadas da guerra a transformar-se em relhas de arado – e, na doçura do poema inspirado, se eleva ao Altíssimo o melhor hino à vida e ao amor.   
Porque o compromisso de Deus é só com a vida, o Senhor faz alçar homens e mulheres que se indignam com a sordidez, mas se apaixonam com o sublime. E toda a sua profecia é vertida em linguagem poética. Inundados do Espírito de Deus, os profetas cantam em elevado lirismo o sentimento do amor devotado, infinito e misericordioso de Deus para com o Seu Povo, o ser humano, e cantam a resposta eucaristicamente anafórica do Povo e do Homem ao seu Deus. Se dramaticamente levam ao Deus da misericórdia a miséria e debilidade humanas para que Se apiede, também com a ousadia recebida do Alto põem a humanidade a cantar a épica Odisseia do Deus que desceu à condição humana para o elevar ao patamar da condição divina, tornando-o filho com o Filho e com Ele herdeiro dos tesouros da Verdade, da Bondade e da Beleza.  
A vocação poética do profeta pode não o levar ao jeito de fazer rimas ou versos segundo qualquer métrica tradicional, mas leva-o ao derrame das lágrimas sobre o ambão da preleção, ao suor do esforço da caminhada à procura de quem precisa de chamada de atenção, conforto, metanoia, a sangrar no texto que deseja que perdure para a posteridade. A expressão rítmica do coração de Deus vaza na tinta da sua pena. O poeta-profeta pressente o que presente deveria ser, mas ainda não é; e vê-se convocado para reencantar os desanimados, curar os desesperançados, destilar beleza de mundos imaginários em terras áridas. E esta atividade dá-lhe o júbilo de Deus.
A matéria-prima do profeta é a poesia. Como artesão de polifacetados vasos de cristal ou oleiro de frágeis vasos de barro, o poeta-profeta maneja a palavra com simplicidade natural, mas com encantadora delicadeza. Pretende mostrar que o quotidiano, nas suas perversas contradições, poderia seguir por outra via. O poeta-profeta derrama-se como óleo perfumado no texto que é todo seu, mas que se torna todo para os outros porque o recebeu de Deus; faz-se lenho do fogo abrasador que aquece a história e gera a luminosidade que dá a vista aos cegos; torna-se mola do coxo que precisa de andar, estímulo para o surdo que precisa de ouvir, bálsamo para o doente que necessita da cura, farinha e água para quem precisa de pão e de água para saciar a fome e a sede. Ansioso por conjugar os extremos na síntese promotora do bem, sabe que o único Absoluto é o Amor, o único Bem é Vida e o único Alvo é a valorização do instante de Deus.
Como o poeta-profeta é o apóstolo. Porém, enquanto o profeta se constitui chamado, predestinado e discípulo mediante uma teofania em que não pôde ver o rosto de Deus, o apóstolo constitui-se como discípulo privando com o Deus encarnado em Seu Filho Jesus, sendo convidado a segui-Lo, ouvindo-O no quotidiano, partilhando com Ele o banquete da Salvação, o trabalho, os direitos e as obrigações; sente com Ele o momento da celebração da Aliança, come do Seu corpo e bebe do Seu sangue. Depois, tem o privilégio de rezar com o próprio Jesus/Deus. Não assistiu à Sua morte porque teve medo ou, se assistiu, recebe como testamento da caridade divina a Mãe do próprio Deus e confia-se a Ela. Tem mãe. Fixa e contempla o Ressuscitado e com alegria, movido pela força do Espírito Santo, vai anunciar que Aquele que estava morto vive e é constituído o Senhor em quem encontramos o perdão. E esta mensagem é comunicada a partir de Jerusalém, em círculos concêntricos, até aos últimos confins da Terra.
Queremos melhor pretexto para o dinamismo poético-profético-apostólico?
Mas há mais. Enquanto os profetas antigos tinham uma missão provinda dum passado teofânico, mas nubloso, com vista à aquisição das coisas que iriam acontecer, o apóstolo é enviado porque foi constituído testemunha ocular e auditiva (ou equivalente nos seus fundamentos) de factos já ocorridos que persistem no presente e permitem um futuro assente não apenas na esperança, que se reforça como força motriz, mas sobretudo na abundância da caridade divina que se torna mandamento irrecusável com intensidade pessoal e abrangência universal tornada marca indelével e contagiante dos novos seguidores, discípulos e apóstolos – quiçá mártires até ao sangue ou professores da fé até à entrega ilimitada, heroica e docente.
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Poetas-profetas discípulos-apóstolos, mártires-professores da fé rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Quererem diminuir-se para que Ele cresça. Não aprisionam a mensagem, o mistério, o projeto. Comunicam-no, divulgam-no, consolidam-no, celebram-no.
Trocam os tapetes pelo chão batido. Solitários, não se vergam aos homens; só obedecem a Deus, que marca o compasso do próprio coração; indomáveis, revoltam-se com o trivial; irrequietos, perturbam o normal. São verdadeiros revolucionários da ternura e da misericórdia de Deus. Fazem a poesia da vida e transformam a desgraça em sublimação do desígnio divino presente nos homens mais pobres, doentes, descartados ou no coração das almas generosas, dedicadas. De gente dispersa constroem a comunhão, com indivíduos isolados fazem comunidade viva na fé, na esperança e no amor. É a verdadeira poesia factiva!
Poetas-profetas discípulos-apóstolos, mártires-professores da fé não defendem a própria reputação. Alvos fáceis dos ímpios quando negam a história, só as gerações futuras lhes fazem justiça. Pedras do meio do caminho incomodam; indestrutíveis, semeiam trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário, mesmo que perturbado pelo crescimento irritante da cizânia.
Poeta-profeta discípulo-apóstolo, mártir-professor da fé é alquimista, pois faz das palavra poção encantante e o seu feitiço condimenta a vida. Cria sabores exóticos; usa verbo forte, inebria a imaginação e gera o sonho. Conhece o segredo de transformar o transcendental no plausível. Alado, vive nas nuvens, mantém parceria perpétua com os anjos e adora a Deus em espírito e verdade, na intimidade do quarto, no interior do Templo, no silêncio das montanhas ou no bulício das praças. Escuta a bruma do vale, agasalha-se sob o manto platinado da lua e expõe-se ao fulgor e calor do sol. Não teme ausências e a solidão não o intimida. É selvagem como o tigre, altivo como a águia e acutilante ou encantador como a serpente.
Poeta-profeta discípulo-apóstolo, mártir-professor da fé nascera no pé do arco-da-velha; salvo das águas, cresce como o cedro do Líbano; sensível, plora com o dedilhar da harpa; torna-se parceiro dos humildes, dos mansos e dos puros de coração. Contudo, o seu destino é a cruz.
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Que de junto de São Pedro e imerso na sua Cultura, Dom José Tolentino, brilhe com a poesia, a profecia e o apostolado.
2018.07.02 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A Universidade Católica Portuguesa e o cuidado dos mais pobres

O n.º 237 do Semanário Ecclesia, de hoje, dia 1 de dezembro, em artigo sob o título interrogativo “Universidade Católica, um serviço aos mais pobres?”, da responsabilidade da LOC/MTC (Movimento de Trabalhadores Cristãos), faz à nossa UCP uma interpelação que prima pela atualidade e pertinência.
Verificando que, nos anos de crise “muitos cristãos se interrogaram” quanto ao papel dos “economistas formados na Universidade Católica, pois a maior parte remeteu-se ao silêncio ou apoiou as medidas que se tornaram mais prejudiciais aos trabalhadores e aos mais desfavorecidos”, o articulista tenta levantar a lebre e suscitar a reflexão e o debate. Aproveita o facto de passar neste ano o cinquentenário da criação da UCP e o de uma representação da UCP se ter deslocado ao Vaticano, sendo recebida pelo papa Francisco, a 26 de outubro, na Sala Clementina, em que houve lugar a discursos.
Presidia à delegação o Grão Chanceler, o Cardeal Patriarca de Lisboa, que saudou o Papa em nome da UCP, apresentando “as esperanças e lutas de quantos hoje – como ontem – amam, fazem e são esta comunidade universitária” (Palavras do Papa). E Francisco “respondeu com uma interpelação forte e um apelo que nascem de uma interrogação que deve obrigar, professores e alunos, a um exame sério acerca da orientação que estão a seguir”. E a grande questão dilemática que o Pontífice levanta às mais altas autoridades académicas da UCP é::
- Para que serve uma universidade, mais concretamente uma Universidade Católica? Para abrir caminho à promoção pessoal dos alunos e professores ou para responsabilizar numa maior capacidade de servir os mais pobres?
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O Pontífice apreciou o gesto simpático da visita daquela representação à Sé de Pedro na sequência do conhecimento da impossibilidade de Francisco ter visitado “a sede central da Universidade por ocasião da peregrinação ao Santuário de Fátima em maio passado”. E congratulou-se com a Igreja em Portugal que quis a UCP, a promove e apoia, podendo “contar com uma leitura aprofundada dos tempos que correm e sobretudo com a formação superior dos guias do povo de Deus e dos líderes de que a sociedade precisa”.
Mas vamos ao essencial do discurso papal.
Sendo universidade, por natureza e missão, a UCP abraça “o universo do saber no seu significado humano e divino, para garantir aquele olhar de universalidade sem o qual a razão, resignada com modelos parciais, renuncia à sua aspiração mais alta: a de buscar a verdade”. Mas o orador pontifical avisa:
À vista da grandeza do seu saber e do seu poder, a razão cede perante a pressão dos interesses e a atração da utilidade, acabando por a reconhecer como seu último critério”.
E, baseado no que escreveu na Laudato Si’, adverte quanto aos riscos para a liberdade homem:
Quando o ser humano se entrega às forças cegas do inconsciente, das necessidades imediatas, do egoísmo, então a sua liberdade adoece. ‘Neste sentido, ele está nu e exposto frente ao seu próprio poder que continua a crescer, sem ter os instrumentos para o controlar. Talvez disponha de mecanismos superficiais, mas podemos afirmar que carece de uma ética sólida, uma cultura e uma espiritualidade que lhe ponham realmente um limite e o contenham dentro dum lúcido domínio de si’ (LS, 150).”.
O Papa quer que a UCP não fique no saber, mas vá mais além, até onde se pode e deve ir. Com efeito, “a verdade significa mais do que saber: o conhecimento da verdade tem como finalidade o conhecimento do bem”. Assim, “a verdade torna-nos bons, e a bondade é verdadeira”.
Por isso, é preciso ajudar “os alunos a não olhar um grau universitário como sinónimo de maior posição, sinónimo de mais dinheiro ou de maior prestígio social”. Tem que se encontrar um modo de fazer ver os estudos superiores numa perspetiva diferente do comum da sociedade. E Francisco interpela: “Ajudamos a ver esta preparação como sinal de maior responsabilidade perante os problemas de hoje, perante o cuidado do mais pobre, perante o cuidado do meio ambiente?”. E avisa:
Não basta realizar análises, descrições da realidade; é necessário gerar espaços de verdadeira pesquisa, debates que gerem alternativas para os problemas de hoje. Como é necessário descer ao concreto!”.
A seguir, vêm as exigências de a UCP ser não só uma universidade, mas sobretudo de ser universidade católica – “qualificação que em nada mortifica a universidade, antes a valoriza ao máximo; pois, se a missão fundamental de toda universidade é “a investigação contínua da verdade mediante a pesquisa, a preservação e a comunicação do saber para o bem da sociedade” (João Paulo II, Cons. ap. Ex corde Ecclesiae, 30), diz o Papa:
Uma instituição académica católica distingue-se pela inspiração cristã dos indivíduos e das próprias comunidades, consentindo-lhes incluir a dimensão moral, espiritual e religiosa na sua investigação e avaliar as conquistas da ciência e da técnica na perspetiva da totalidade da pessoa humana”.
E, na linha de João Paulo II, Francisco considera que
As ciências humanas, apesar do grande valor dos conhecimentos que oferecem, não podem ser assumidas como indicadores decisivos das normas morais deste caminho” (Enc. Veritatis splendor, 112).
Por isso é que o Pontífice falava de razão equivocada quando ela reconhece como seu último critério a pressão dos interesses e a atração da utilidade. Na verdade,
É o Evangelho que descobre a verdade integral sobre o homem e sobre o seu caminho moral, e assim ilumina e adverte os pecadores anunciando-lhes a misericórdia de Deus, (…) lembra-lhes a alegria do perdão, o único capaz de conceder a força para reconhecer na lei moral uma verdade libertadora, uma graça de esperança, um caminho de vida” (Vs,112).
A quem objete que tal docência “tiraria as suas conclusões da fé e, por isso, não poderia pretender a validade das mesmas para quantos não partilham desta fé”, o Papa responde:
É verdade que não partilham a fé, mas serve-lhes a razão ética proposta. Explico-me. Por detrás do docente católico fala uma comunidade crente, na qual, durante os séculos da sua existência, amadureceu uma determinada sabedoria da vida; uma comunidade que guarda em si um tesouro de conhecimento e de experiência ética, que se revela importante para toda a humanidade. Neste sentido, o docente fala não tanto como representante duma crença, como sobretudo testemunha da validade duma razão ética.”.
Este locus discursivo do Pontífice leva-nos a refletir e a questionar o que é de facto a investigação e se o seu campo não será, para lá do laboratório, a comunidade, a história, os movimentos sociais, os sinais dos tempos, o livro aberto da natureza. Se reduzirmos o conceito e o campo de investigação, podemos ter uma universidade anquilosada sem responder às legítimas expectativas das ciências e das pessoas às quais se dirige o produto da investigação e da sua sistematização numa linha correta e fecunda da produção e oferta do conhecimento.
Mas o Papa Bergoglio não se fica pelo conceito de universidade e de universidade católica; frisa também o facto de ser uma universidade portuguesapor fisionomia e presença”. Nesta perspetiva, a UCP constitui “mais um sinal de esperança, que a Igreja oferece ao País, ao colocar à disposição da nação uma instituição cultural que, tendo como objetivo o aperfeiçoamento cristão do homem, é chamada precisamente a servir a causa do homem, na certeza de que – como ensina o Concílio Vaticano II – aquele que segue Cristo, o homem perfeito, torna-se mais homem” (Gaudium et spes, 41).
Se antes falava da necessidade de descer ao concreto, agora lembra o princípio da encarnação do Verbo. Nestes termos, a UCP tem de encarnar “na pele do nosso povo”. As perguntas do povo “ajudam-nos a questionar-nos; as suas batalhas, sonhos e preocupações possuem um valor hermenêutico que não podemos ignorar, se quisermos deveras levar a cabo o princípio da encarnação”. Trata-se de um caminho escolhido por Deus. Com efeito, Ele
Encarnou-Se neste mundo, atravessado por conflitos, injustiças e violências, atravessado por esperanças e sonhos. Por conseguinte, não temos outro lugar onde O procurar a não ser no nosso mundo concreto, no vosso Portugal concreto, nas vossas cidades e aldeias, no vosso povo. É aí que Ele está a salvar.”.
Por fim, recordou-se de que a UCP foi criada por ocasião da celebração do cinquentenário das Aparições em Fátima e sublinhou a promessa do Céu deixada em Fátima há cem anos de que “em Portugal, se conservará sempre o dogma da fé” (Memórias da Irmã Lúcia, IV, n.º 5). E, querendo suscitar a cooperação de todos para o cumprimento desta promessa, explica:
Esta [promessa] é, tão consoladora como empenhativa, sabendo nós que Deus criou sozinho o homem, mas não quis salvá-lo sozinho; espera a nossa colaboração [e] também a colaboração da Universidade Católica Portuguesa, nascida há 50 anos, sendo estes vividos sob o signo da consagração da comunidade académica ao Imaculado Coração de Maria”.
E deixou um apontamento evocativo da sua presença em Fátima em 12 e 13 de maio deste ano:
Fez-me muito bem à alma poder inserir-me na oração do bom povo português e demais filhos d’Ela. Como então vos disse, fui lá venerar a Virgem Mãe e confiar-Lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto não se perdem; dos seus braços virá a esperança e a paz de que necessitam” (Homilia, 13/V/2017).
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Comentando este discurso papal, o Movimento de Trabalhadores Cristãos reforça, no Portugal de hoje que “o concreto é a vida real das pessoas, dos trabalhadores sazonais na Comporta e no Alentejo, dos jovens sem oportunidade de construir uma família, dos idosos impotentes  perante as catástrofes e os oportunistas, das vítimas de violência doméstica e tráfico humano,…”. Mais: “o concreto é a aldeia em que nascemos, os bairros abandonados, a violência crescente, os suicídios fruto do desespero”. O concreto é toda esta realidade que muitas vezes ‘os canudos’, nomeadamente na área da economia, esquecem.
E o Movimento de Trabalhadores Cristãos interroga-se:
Quantos padres fizeram a sua formação nesta Universidade na Faculdade de Teologia? Distinguem-se pela sua opção pelos pobres?

É bom que a UCP nunca se esqueça de que é universidade, universidade católica e universidade portuguesa. É de questionar se não tem estado mais interessada na competição com outras escolas do que em atingir a verdade e a bondade, em orientar os estudos, a investigação e consequentemente a produção do conhecimento e a sua oferta pelos princípios da liberdade evangélica, da responsabilidade pela sociedade, da preferência pelos pobres, do serviço a todos e a cada um, em que os necessitados têm lugar privilegiado. A encarnação do Verbo acontece privilegiadamente entre os pobres (Mt 11,5; 25,4045; Lc 4,18; 7,20-21).
São de questionar os critérios para a seleção e graduação de alunos e atribuição das bolsas, bem como o perfil dos docentes e investigadores. E, se o Movimento de Trabalhadores Cristãos interroga os sacerdotes e os economistas, também interrogo os gestores pela ética e equidade da gestão e da administração que ensinam e praticam e os juristas, por exemplo na preocupação com o acesso de todos à justiça, pela defesa do papel social da propriedade, e pela índole mais sadia da ação política. Parece que só os vemos dum lado!  Qual o conteúdo e orientação das Ciências Sociais e Humanas investigadas, ensinadas e divulgadas pela nossa UCP?
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Complementarmente, recordo que recentemente o Papa Francisco pediu às escolas católicas que ajudem a restabelecer o pacto educativo, lançando pontes entre as diferentes instituições, e que marquem a diferença na proposta educativa pela “qualidade da presença”, sendo que “a diferença se faz, não pela qualidade dos recursos disponíveis, mas pela qualidade da presença”. É este o teor da mensagem dirigida aos participantes na I Jornada das Escolas Católicas, que decorreu em Lisboa no passado dia 25 de novembro.
Nos trabalhos, Dom Nuno Brás, vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, disse que a presença da Igreja Católica no meio educativo “não pode ser um gueto”, mas uma proposta “aberta a todos”. Este bispo auxiliar de Lisboa considerou que o ensino católico terá futuro enquanto proposta “acessível a todos” e, nesse sentido, “o Estado deve garantir a liberdade do ensino” e não a limitar impondo a toda a nação o uso de manuais escolhidos ou de pedagogias nunca neutras”. Concordo em absoluto.
O presidente da APEC (Associação das Escolas Católicas), Padre Querubim Silva, sustentou a urgência de acabar com o impasse à volta da questão dos contratos de associação com o Estado, pois, em causa estão muitas escolas que correm o risco de fechar. Porfia que estão abertos ao diálogo, e aquilo que mais os preocupa é encontrarem uma parede, um muro de betão ciclópico e a nega permanente ao diálogo”. Se é um muro de betão ciclópico é fácil de abater!
De acordo com Jorge Cotovio, secretário-geral da APEC, várias escolas deste setor tiveram de fechar e mais seguirão se não for possível chegar a um entendimento com o Estado. E admitiu:
Com as restrições às escolas com contrato de associação, as poucas que tinham ensino gratuito cerca de 27 escolas, estão a ser condicionadas. Já fecharam nos dois últimos anos quatro instituições, algumas de grandes dimensões”.
Não sei se, num Estado de necessidade, não se deve exigir preferencialmente ao Estado que cumpra as suas obrigações com as escolas públicas e as escolas católicas assumirem uma via parecida com a das verdadeiras universidades católicas em organização e financiamento, mostrando pelos princípios, currículo e projetos que vale a pena ser escola, escola católica e escola católica em Portugal.

2017.12.01 – Louro de Carvalho