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terça-feira, 28 de maio de 2019

Biblioteca Vaticana, um local para frequentar o futuro


O Arcebispo Dom José Tolentino Mendonça, em entrevista à agência Ecclesia, publicada a 26 de maio, assinala a importância do património documental postado em 50 quilómetros de prateleiras da Biblioteca Apostólica Vaticana (num Salão de 70m x 11m) para o conhecimento dos saberes do cristianismo e dá conta da sua colaboração com o programa do pontificado de Francisco pelo trabalho das suas duas equipas, a da Biblioteca e a do Arquivo Secreto. 
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Considerando uma biblioteca como um “grande património” e um “lugar de identidade”, em que os livros e objetos similares documentam e contam “uma história” de família, enfatiza:  
A nossa história vem de longe, são dois mil anos de história. É evidente que os primeiríssimos documentos, hoje conservados na Biblioteca Apostólica, são do final do século II. Mas remontam a uma tradição que pretende conservar as palavras, os ditos, os gestos do próprio Jesus.”.
E essa tradição estriba-se em dois lugares teológicos: a escuta da Palavra e a ação em memória de Jesus. E o prelado vinca os dois aspetos exemplificando: 
Aquela passagem de São Lucas que diz que Maria conservava no seu coração aquilo que a Jesus dizia respeito – o esforço é esse, que a Igreja sempre fez e é um esforço que se liga à Eucaristia, onde se diz ‘Fazei isto em memória de mim’. A conservação da memória foi sempre algo muito importante para as comunidades cristãs. Ao longo dos séculos a conservação da memória teve formas muito diferentes.”.
Em relação à memória da Biblioteca que lidera, testemunha o fraquinho do cristianismo pela pessoa humana e pela História contextualizando:
Esta [história], de que a Biblioteca Apostólica do Vaticano é diretamente herdeira, tem cinco séculos, nasce no meio de uma grande cultura humanista, onde o interesse pela teologia e as ciências sagradas se alia ao interesse por tudo o que é humano. É uma biblioteca 360º, tem uma latitude desde o saber teológico, à astronomia, matemática, arquitetura, medicina… Tudo o que é humano está dentro desta biblioteca e, neste sentido, é um espelho muito fiel da paixão do cristianismo pela pessoa humana e pela História.”.
Relata que, apesar de, após a sua entrada em funções, já ter sido incorporado um colaborador, é o mais novo de quantos ali trabalham, pelo que pediu a todos que o ajudassem a “entender a Biblioteca Apostólica”, e que tem encontrado “um testemunho muito grande” em todos, que “são um tesouro a par dos livros”, “os quais são de efetivamente tesouros “intermináveis”.
Sendo uma das tarefas da Biblioteca a catalogação e o estudo do próprio “material”, regista que “isso é uma tarefa para séculos”, que “sabemos, mais ou menos tudo, o que temos”, mas que é extraordinário ver o “significado de cada um dos volumes” e “as relações entre eles”. E, exemplificando com um exemplo português, observa:
Na Biblioteca nós temos uma quantidade muito significativa de livros de ciências e de marinhagem, da arte de navegar, do século XVI. É evidente que, dentro do amplo património da Biblioteca Apostólica do Vaticano, isto são coisas marginais. Mas, para um português que percebe que aqueles livros são exemplares raríssimos, que aqueles livros serviram para a obra da expansão marítima, que foram impressos em Lisboa ou Chaves, ou em Leiria, que têm nomes que estão no coração e na cultura, damos imenso valor às obras. Ver uma obra do Pedro Nunes, uma obra matemática ou ver o tratado de marinhagem, folheá-lo ou ver o cancioneiro galaico-português…”.
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É de anotar que na sua crónica “Tesouros Portugueses”, na Revista do Expresso, de 24 de maio, no âmbito da rubrica “Que coisa são as nuvens”, apontava que é fácil “que qualquer cultura ou nação encontre na Biblioteca Apostólica um seu tesouro representado que esse seja um primeiro motivo para cultivar curiosidade, afeto e colaboração científica com este organismo”. E, falando de Portugal, menciona como “um dos documentos portugueses mais icónicos”, o “Cancioneiro da Vaticana” (copiado na Itália no final do século XV ou no início do século XVI), que reúne 1205 composições da lírica trovadoresca galaico-portuguesa (de todos os géneros), “tornando-se assim uma das fontes essenciais que documentam a emergência da nossa língua e literatura”. Depois, menciona, no quadro da literatura científica ligada a Portugal, o caso clamoroso do “Regimento do astrolábio e do quadrante”, “o mais antigo opúsculo conhecido e impresso com regras náuticas, por onde gerações de pilotos se iniciaram nas ciências da cosmografia e navegação e que teve uma edição na oficina de Herman de Campos, nos inícios de 1500”. E frisa:
Há cem anos que a historiografia portuguesa, partindo da descoberta que Joaquim Bensaúde fez na Biblioteca estatal de Munique fala apenas desse exemplar e de uma outra versão depositada na Biblioteca Municipal de Évora, desconhecendo o exemplar, em excelente estado de conservação, que se encontra na Vaticana”.               
E formula uma esperançosa hipótese:  
“Quem sabe se uma nova geração de historiadores portugueses se interessará, com o afinco e os meios necessários, em trabalhar os fundos da Biblioteca Apostólica e do Arquivo Secreto, tão decisivos para a explicação de Portugal”. 
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Voltando à entrevista, diz que sente “grande alegria quando lá vão portugueses”. E, se lá vai um escritor, faz questão de lhe mostrar “o nosso cancioneiro do Vaticano” e comenta:
É maravilhoso ver a profunda emoção ao perceber como este interesse pelo humano e a ligação que a cultura permite, que é uma ligação que toca até á alma, está bem patente na Biblioteca Apostólica do Vaticano”.
Um antigo colaborador, já reformado, confessou-lhe:
Penso sobretudo que a Biblioteca é um cartão de visita ótimo do que é o Cristianismo ou do que é a Igreja, para um ateu ou para um não crente, porque ele entra aqui e fica em sentido, fica em alerta e cheio de perguntas”.
Ali fica-se “a pensar sobre o que é o Cristianismo ou a Igreja”. A Biblioteca “é um projeto tão grandioso e tocante, tão amplo e abrangente que não deixa ninguém indiferente”.
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A Biblioteca (hoje existente) mais antiga da Europa (não a primeira biblioteca papal) construiu-se ao longo do tempo, com muitas doações. E os Papas são os grandes benfeitores da Biblioteca que é deles. “Foi o Papa Nicolau V (1447-11455) que ofereceu os 150 volumes iniciais” e a instalou a Biblioteca no Palácio dos Papas (Sisto V transferiu-a para o Salão Sistino no final do século XVI). Agora são 1 600 000 volumes impressos, a partir da aquisição de “vários fundos de família, fundos célebres, como da rainha Cristina da Suécia” (E “hoje continuamos a acolher” – diz o Arcebispo). E tem mais de 180 mil volumes de manuscritos e arquivos, 8,6 mil incunábulos, 300 mil moedas e medalhas, 150 mil gravuras e desenhos e 150 mil fotografias. (Os arquivos secretos do Vaticano foram separados da Biblioteca no início do século XVII). Os muitos volumes mostram o interesse, nos vários pontificados, por todos os saberes e todos os Papas têm contribuído para o aumento do património da Biblioteca. E José Tolentino fala sobre os livros que tem recebido de Francisco:
Ele tem oferecido coisas muito pessoais, como livros de etnologia da América Latina, da Argentina, coisas linguísticas que são muito preciosas para aquela zona do mundo de onde provém o Santo Padre. Depois, também livros que o apaixonam. Ele até contou isso na viagem para a JMJ no Panamá: antes de partir, tinha enviado uns livros preciosos sobre Santo António de Pádua e eu, na resposta à oferta, disse ‘agradeço muito, Santidade, os livros de Santo António de Pádua e Lisboa’. Para dizer como os livros que ele oferece é aquilo que ele considera como o mais precioso que pode estar na sua Biblioteca, refletindo muito os encontros que ele tem, aquilo que as pessoas sabem que é o gosto dele, o que tem mais a ver com o carisma dele.”.
Porém, a maior oferta foi a visita do Papa ao espaço, foi a primeira visita de Francisco ao seu Arquivo, à sua Biblioteca. E diz Dom José Tolentino:
Foi um momento de grande comoção para todos nós, que ali trabalhamos. Preparamos uma série de objetos, andamos pelos espaços, mostramos algumas coisas do tesouro da Biblioteca, uma das quais as moedas que aparecem citadas nos Evangelhos. Ele deteve-se, especialmente, sobre duas pequeninas moedinhas, aquelas [de] que se diz que a viúva pobre ofereceu tudo quanto tinha ao tesouro do Templo. Jesus disse que ela ofereceu mais do que todos os outros.”.
E o Papa, amante dos livros como qualquer habitante de Buenos Aires, disse “que nós, ali, apesar de sermos uma biblioteca patrimonial, onde a dimensão do passado e da memória está muito presente”, temos de ali “em cada dia frequentar o futuro”. De facto, “a Biblioteca tem de estar ligada ao futuro do Cristianismo”.
Também o Papa emérito, “homem dos livros, do estudo, da racionalidade”, queria ser bibliotecário da Biblioteca Apostólica – assim o pediu, quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé a São João Paulo II –, mas não o foi, foi Papa.
O bibliotecário e arquivista da Santa Sé tem “dois governos, o da Biblioteca e o do Arquivo Secreto, que são duas equipas, integrando ambas com cada prefeito e vice-prefeito”. Em cada semana, há uma manhã dedicada ao governo da Biblioteca e do Arquivo, onde se passam em revista os principais projetos, as questões, a agenda da semana, o que é preciso fazer, as programações. E o bibliotecário tem o gabinete próprio, donde vai acompanhando todas as questões internas que se põem à instituição. Há um trabalho de ligação da Biblioteca à Cúria Romana, à Secretaria de Estado, ao Santo Padre e ao exterior. E o Arcebispo dá um exemplo:
Só em 2019, a Biblioteca emprestou muitos dos seus manuscritos, volumes, para dezenas de exposições no mundo. Até chegar a isso, tudo começa com um encontro com o embaixador dessa nação, ou seja, todas as semanas um dos meus trabalhos é receber um embaixador, perceber a natureza dos projetos, começá-los, acompanhar esse interesse – muitas vezes, suscitar, aprofundar o interesse pelo nosso mundo –, dar a conhecer a Biblioteca Apostólica, para que ela seja verdadeiramente um serviço da Igreja Católica, naquele lugar, aos milhares de estudiosos que, por ano, vão ali estudar, mas também àquelas pessoas que nunca entraram na Biblioteca Apostólica e que vão ver um volume, numa exposição, nos seus países.”.
Sobre as afinidades dos dois espaços – Biblioteca e Arquivo – Dom Tolentino explica:
De um lado, temos livros; do outro, documentos. De um lado, temos uma amplitude maior de estudiosos (um cientista pode interessar-se por livros da Biblioteca Apostólica, mas também um filólogo, alguém da literatura, um arquiteto: são pessoas muito diferentes), no Arquivo, não quer dizer que não haja pessoas a fazer pesquisas a partir de outros pontos de vista, mas temos prevalentemente o nível da história e da escrita da história.”.
Quanto ao Arquivo Secreto, o arquivista não é parco em enaltecer-lhe o papel, a ponto de reconhecer que, sem ele, é impossível, por exemplo, compreender “a aventura da modernidade”, em particular a história da Europa, embora o Arquivo tenha muitas coisas da Idade Média. E o chefe do Arquivo explicita:  
Enquanto, muitas vezes, as nações nem sequer têm embaixadores em todos os países, ou o percurso dos embaixadores fica muito dependente dos ciclos políticos, a Santa Sé mantém uma continuidade com os núncios, por exemplo, muito marcada. Isso quer dizer que nós temos uma documentação, um olhar muito constante, muito homogéneo ao longo dos séculos. E temos recolhas fabulosas de informação, que são uma chave fundamental para a história, para entender não só o passado, mas também o presente.”.
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Questão atualíssima é a referente à decisão de Francisco decidiu abrir os arquivos relativos ao pontificado de Pio XII (1939-1958) para esclarecer o papel da Igreja Católica durante a II Guerra Mundial, sobretudo na relação com os judeus. José Tolentino esclarece que “o Arquivo organiza a sua abertura, não por anos, mas por pontificados”. Assim, a abertura destes arquivos será em março de 2020 – sobre um longo pontificado, num período crucial da história contemporânea.
Efetivamente, “um momento central é o da II Guerra Mundial, da perseguição aos judeus”, mas várias questões, como a preparação do Concílio (1961-1965) – que surgirá no pontificado de São João XXIII –, “o clima, a relação com a teologia, a aspiração das várias Igrejas”, aparecem já no pontificado de Pio XII, pontificado muito rico, nomeadamente para Portugal, e interessante também pela questão de Fátima, pela questão do regime político e por aquilo que se vivia nas várias dioceses. E a abertura muito esperada do arquivo atrairá, na certa, muitos historiadores.
No atinente às acusações de que Pio XII é alvo e se a abertura do Arquivo mostrará não terem fundamento as acusações, nomeadamente a de falta de proteção aos judeus, o arquivista explica:
A nossa posição, no Arquivo, é abrir os documentos. Foram 13 anos de trabalho, eu cheguei há meses, mas existe uma larga equipa a trabalhar todos os documentos. Eles serão abertos, tornados acessíveis, as pessoas poderão ler e tirar as suas conclusões.”.
Não obstante, adianta:
Há notas muito impressionantes, que são algumas já conhecidas, mas que ali ganham uma ligação documental muito forte. Duas delas, para referir: uma, a grande ajuda do Papa e da Santa Sé aos prisioneiros de guerra, é um trabalho incrível. No Arquivo Secreto temos uma quantidade de documentação verdadeiramente extraordinária.”.
A seguir, destaca “a dimensão da caridade de Pio XII”, sendo “verdadeiramente assombroso” o seu perfil neste capítulo. E José Tolentino explana:
Das milhares e milhares e milhares de pessoas que escreviam ao Papa, a pedir uma ajuda, uma ajuda material, não houve nenhuma que não fosse atendida. E o registo desse trabalho, muitas vezes silencioso, que, se calhar, o grande público não sabia, porque é uma relação pessoal, que se estabelece com o Papa, é uma coisa verdadeiramente impressionante.”.
Com razão diz o Papa Francisco que “a Igreja não tem medo da história”. E é esta atitude que levou Francisco a decidir abrir o pontificado de Pio XII, porque “não tem medo da história e temos submeter-nos também, com humildade, ao juízo da própria história”.
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Questionado por sustentar, numa conferência em Lisboa, que uma biblioteca é uma “farmácia da alma”, asserção aplicada à Biblioteca Apostólica, responde com a tradição egípcia:  
Quando os faraós abriam bibliotecas nas partes mais remotas do reino, colocavam no pórtico da biblioteca essa bela frase: ‘Farmácia da alma’. Uma biblioteca é, de facto, uma farmácia da alma: por um lado, porque uma biblioteca com a dimensão da Biblioteca Apostólica dá-nos uma noção da história. Às vezes, nós pensamos que um problema ou uma questão é apenas do presente e lidamos com isso com o dramatismo de ser um caso único, mas uma biblioteca dá-nos uma profundidade de olhar, mesmo em relação à história da Igreja.”.
Depois, a Biblioteca Vaticana tem uma enorme amplitude. E o Arcebispo Tolentino explana:
O Cristianismo (…) interessa-se por tudo aquilo que é humano, é uma polifonia, não é uma monodia. Nós temos ali uma diversidade polifónica, de vozes, de estilos, de endereços, de correspondências, que acaba por ser uma grande riqueza.”.
Contra o drama da Igreja do pecado da autorreferencialidade da Igreja, denunciado pelo Papa, a Biblioteca “recentra a Igreja na sua missão fundamental” de serviço, em nome de Deus, “à pessoa humana”. E a vontade de servir a humanidade “está ali bem patente”.
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Encarando o serviço da Biblioteca e do Arquivo como serviço de colaboração com o Papa, o Arcebispo diz que o trabalho do bibliotecário é colocar este tesouro, este património “em sintonia com as linhas-mestras deste pontificado” e porfia, à semelhança do mister colaborante dos outros serviços da Cúria Romana:
Nós queremos fazê-lo ali, também de forma humilde, na Biblioteca e no Arquivo, colocando-os como expressão daquilo que é o desígnio e o programa deste pontificado, que tem sido uma verdadeira primavera para a Igreja”.
Anuindo à opinião de Paulo Rocha, o entrevistador, de que tudo ocorre a partir do perfil tolentino “de diálogo com outros saberes, de pontes com outras culturas…”, assegura que “na Biblioteca é muito difícil ter outro perfil”, pois ela, “por sua natureza, é dialógica, é um lugar de diálogos” e “o trabalho de política cultural é suscitar encontros”. Depois, confessa:
Para mim, são águas que me são muito familiares, de certa forma a minha vida preparou-me para este desafio, muito inesperado, muito surpreendente, que o Papa Francisco me colocou. Sinto também que estou a aprender muito, neste lugar, que também me desafia muito, me inspira a ir mais longe.”.
Por fim, sente-se completamente ao serviço do Papa, dado que a Biblioteca e o Arquivo são dele. E, no espírito das duas comunidades que trabalham diariamente naquelas instituições, há o serviço de colaboração com o Pontífice, o que dá um sentido à missão destes trabalhadores, “que não teria se fosse só um projeto individual”: estão “todos juntos a colaborar para que o Papa possa governar a Igreja e ser a figura de Pedro, hoje”.
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Resta que os historiadores e outros homens da ciência pesquisem e produzam conhecimento.
2019.05.27 – Louro de Carvalho

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Padre e poeta, profeta e apóstolo


Ainda está fresca na retina da memória portuguesa a nomeação, pelo Papa Francisco, do Padre e poeta português José Tolentino Mendonça, ocorrida no passado dia 26 de junho, como arquivista do Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Santa Sé, passando a tutelar a mais antiga biblioteca do mundo e sucedendo na liderança daqueles serviços ao Arcebispo francês Jean-Louis Bruguès.
O Arquivo Secreto do Vaticano conserva os documentos relativos ao governo da Igreja para, antes de tudo, estarem à disposição da Santa Sé e da Cúria no desempenho do próprio trabalho, e para que depois, por concessão pontifícia, possam representar para todos os estudiosos de história fontes de conhecimento, mesmo profano, das regiões que há séculos estão intimamente ligadas com a vida da Igreja. E a Biblioteca Apostólica do Vaticano apresenta-se como “instrumento da Igreja para o desenvolvimento, a conservação e a divulgação da cultura” e, constituída pelos Papas, oferece, nas suas várias secções, “tesouros riquíssimos de ciência e de arte aos estudiosos que investigam a verdade”.
O sacerdote português, até agora vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e diretor da Faculdade de Teologia (por decreto de 22 de maio de 2018, da Congregação para a Educação Católica), foi ainda elevado à dignidade de Arcebispo de Suava, no Norte de África.
O novo Arcebispo, que iniciará funções como arquivista do Arquivo Secreto e bibliotecário do Vaticano no dia 1 de setembro, foi convidado para orientar o retiro anual de Quaresma do Papa Francisco e da Cúria Romana (que decorreu entre 18 e 23 de fevereiro, em Ariccia, nos arredores de Roma), convite que então o deixou tão surpreendido que achou ter “sonhado” com isso.
Conhecido por utilizar referências à literatura nas meditações religiosas, Dom José Tolentino Mendonça chegou a citar Fernando Pessoa nas meditações apresentadas ao Papa Francisco, que lhe agradeceu por conseguir estabelecer uma ponte entre os textos bíblicos e a literatura secular.
Considerando o convite do Papa como uma grande honra para a Igreja portuguesa, para Portugal e para a UCP, a reitora Isabel Gil Capeloa lembra, em comunicado, que Tolentino Mendonça tinha assumido o pelouro das relações culturais e bibliotecas da Católica nas últimas duas equipas reitorais. Segundo a reitora da UCP, o Professor “contribuiu para tornar a atividade artística um eixo central da ação da Universidade Católica Portuguesa, incentivando um diálogo renovado e fecundo com a sociedade através da sua intervenção cultural e literária” e trabalhou no desenvolvimento do Código de Ética e Deontologia da UCP.
O novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé manifestou à agência Ecclesia a sua determinação de “servir a Igreja na Cultura”, referindo:
A Cultura faz-nos viajar à raiz arquitetural da pessoa, àquilo que constitui o núcleo fundante da sua aventura existencial, mas também nos permite interrogar e iluminar o seu horizonte de sentido”.
Dom José Tolentino Mendonça sustenta que a sua missão como “Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana” se insere numa tradição papal de “conservar num arquivo próprio a memória dos mártires e a gesta dos pastores, bem como os livros que asseguravam a atividade litúrgica e as necessidades administrativas da comunidade eclesial”. O Arcebispo salienta que há, desde o século VIII, notícias da existência duma biblioteca, enriquecida ao longo dos tempos com “monumentais e preciosos espólios”, que colocam a atual Biblioteca Apostólica Vaticana entre “as mais fascinantes instituições culturais do mundo”. Diz o novel prelado:
O arquivo e a biblioteca são assim lugares referenciais da memória específica do cristianismo, mas também da cultura universal; são espaços de ciência e de construção de pensamento, procurados por investigadores de todo o mundo que ali encontram o rastro da história e a capacidade que esta tem de iluminar o presente; são grandes repositórios daquela beleza capaz de ferir de infinito o coração humano”.
Para este colaborador do Papa, a Cultura é uma das “fronteiras proféticas” para o catolicismo de todos os tempos e, “de um modo talvez ainda mais incisivo, para o catolicismo contemporâneo”. Neste sentido, declarou:
A cultura documenta o que somos, é verdade. Mas espelha e potencia as grandes buscas interiores, o contacto com as grandes perguntas, a vizinhança das razões maiores que funcionam como patamares do caminho a que a nossa humanidade vai chegando, a proximidade daquele vastíssimo e inconsútil silêncio que, porventura ainda melhor do que a palavra, exprime em nós o mistério do Ser.”.
No pontificado de Francisco o Arcebispo destaca a “arte do encontro” que o Papa tem promovido e que encontra na Cultura “um espaço de desenvolvimento natural”, aliás na linha dos antecessores, embora com um tom muito próprio. E, sobre a cultura, diz neste sentido:
A Cultura, no seu sentido mais verdadeiro, é prática de escuta, de atenção, de intercâmbio e de interdependência; é exercício interminável de hospitalidade. Não admira que um dos serviços que a Igreja de cada tempo presta ao futuro seja, por isso, o investimento no diálogo entre a Fé e a Cultura, que constitui um horizonte inequívoco para uma apresentação credível do Evangelho ao coração das mulheres e dos homens nossos contemporâneos e uma reparadora fonte de esperança e de paz.”.
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Dom José Tolentino Mendonça nasceu em Machico (Região Autónoma da Madeira) em 1965 e foi ordenado sacerdote em 28 de julho de 1990. Deslocou-se para Roma, onde concluiu, no Pontifício Instituto Bíblico, o mestrado em Ciências Bíblicas. Regressado a Portugal, ingressou na UCP, onde foi capelão e lecionou as disciplinas de Hebraico e Cristianismo e Cultura. Aí se doutorou em teologia bíblica, tornando-se seu professor auxiliar. Dirigiu até ao ano de 2014 o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica em Portugal, de que foi o primeiro Diretor e a revista Didaskália editada pela Faculdade de Teologia. As linhas de investigação privilegiadas do teólogo e poeta são Bíblia e literatura, teologia de Paulo, representações de Jesus nos textos cristãos e na cultura contemporânea, a par do tema do corpo nos textos cristãos das origens.
O novo Arcebispo, consultor do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé) desde 2011, por designação de Bento XVI, era capelão na Capela do Rato e na UCP, foi reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, e era diretor da Faculdade de Teologia da UCP. O seu livro “A Mística do Instante” foi galardoado com o Prémio literário Res Magnae 2015, um importante prémio italiano atribuído no campo da ensaística. Foi o primeiro português e o único não italiano, até à data, a receber este prémio. Em 2016, a sua obra de cronista foi distinguida com o prémio APE e a sua obra poética com o Prémio Teixeira de Pascoaes. A 9 de junho de 2016, foi designado Membro do Conselho das Antigas Ordens Militares. E, em 2012, foi considerado um dos 100 portugueses mais influentes em 2012, pela REVISTA do jornal Expresso.
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Este padre poeta é um exemplo do que devia ser qualquer sacerdote: poeta, profeta e apóstolo.
Com efeito, Deus é poeta por Se comunicar-se por versos e metáforas. É certo que a Sua linguagem, carregada de símbolos, é hermética, misteriosa, para o coração duro e rude, e que, para O entender, se precisa de ouvido espiritual, sensível ao êxtase transcendental, mas, quando Deus declama, o universo dança, as donzelas e os jovens saltam de alegria, as crianças sorriem e gritam e os anciãos e anciãs têm sonhos e visões. E todos fazem associar-se a si a terra, o mar e o firmamento, os animais e plantas e as próprias pedras para enarrarem as maravilhas de Deus.
Por que nos criou à Sua imagem e semelhança, Deus põe os Seus olhos na procura e na mira de homens e mulheres disponíveis para encarnar os divinos sentimentos. Ora, nesta linha, vêm os profetas, que foram todos chamados e enviados por Deus para, por metáforas e imagens, porem dramaticamente o dedo nas chagas sociais, morais e religiosas cavadas pelos homens, anunciarem, na alegria do Espírito, o compromisso de Deus com a vida e construírem as sólidas plataformas da esperança messiânica, vindo, as plantas venenosas congraçar-se com as sãs, os animais opostos a juntar-se em convivência e as espadas da guerra a transformar-se em relhas de arado – e, na doçura do poema inspirado, se eleva ao Altíssimo o melhor hino à vida e ao amor.   
Porque o compromisso de Deus é só com a vida, o Senhor faz alçar homens e mulheres que se indignam com a sordidez, mas se apaixonam com o sublime. E toda a sua profecia é vertida em linguagem poética. Inundados do Espírito de Deus, os profetas cantam em elevado lirismo o sentimento do amor devotado, infinito e misericordioso de Deus para com o Seu Povo, o ser humano, e cantam a resposta eucaristicamente anafórica do Povo e do Homem ao seu Deus. Se dramaticamente levam ao Deus da misericórdia a miséria e debilidade humanas para que Se apiede, também com a ousadia recebida do Alto põem a humanidade a cantar a épica Odisseia do Deus que desceu à condição humana para o elevar ao patamar da condição divina, tornando-o filho com o Filho e com Ele herdeiro dos tesouros da Verdade, da Bondade e da Beleza.  
A vocação poética do profeta pode não o levar ao jeito de fazer rimas ou versos segundo qualquer métrica tradicional, mas leva-o ao derrame das lágrimas sobre o ambão da preleção, ao suor do esforço da caminhada à procura de quem precisa de chamada de atenção, conforto, metanoia, a sangrar no texto que deseja que perdure para a posteridade. A expressão rítmica do coração de Deus vaza na tinta da sua pena. O poeta-profeta pressente o que presente deveria ser, mas ainda não é; e vê-se convocado para reencantar os desanimados, curar os desesperançados, destilar beleza de mundos imaginários em terras áridas. E esta atividade dá-lhe o júbilo de Deus.
A matéria-prima do profeta é a poesia. Como artesão de polifacetados vasos de cristal ou oleiro de frágeis vasos de barro, o poeta-profeta maneja a palavra com simplicidade natural, mas com encantadora delicadeza. Pretende mostrar que o quotidiano, nas suas perversas contradições, poderia seguir por outra via. O poeta-profeta derrama-se como óleo perfumado no texto que é todo seu, mas que se torna todo para os outros porque o recebeu de Deus; faz-se lenho do fogo abrasador que aquece a história e gera a luminosidade que dá a vista aos cegos; torna-se mola do coxo que precisa de andar, estímulo para o surdo que precisa de ouvir, bálsamo para o doente que necessita da cura, farinha e água para quem precisa de pão e de água para saciar a fome e a sede. Ansioso por conjugar os extremos na síntese promotora do bem, sabe que o único Absoluto é o Amor, o único Bem é Vida e o único Alvo é a valorização do instante de Deus.
Como o poeta-profeta é o apóstolo. Porém, enquanto o profeta se constitui chamado, predestinado e discípulo mediante uma teofania em que não pôde ver o rosto de Deus, o apóstolo constitui-se como discípulo privando com o Deus encarnado em Seu Filho Jesus, sendo convidado a segui-Lo, ouvindo-O no quotidiano, partilhando com Ele o banquete da Salvação, o trabalho, os direitos e as obrigações; sente com Ele o momento da celebração da Aliança, come do Seu corpo e bebe do Seu sangue. Depois, tem o privilégio de rezar com o próprio Jesus/Deus. Não assistiu à Sua morte porque teve medo ou, se assistiu, recebe como testamento da caridade divina a Mãe do próprio Deus e confia-se a Ela. Tem mãe. Fixa e contempla o Ressuscitado e com alegria, movido pela força do Espírito Santo, vai anunciar que Aquele que estava morto vive e é constituído o Senhor em quem encontramos o perdão. E esta mensagem é comunicada a partir de Jerusalém, em círculos concêntricos, até aos últimos confins da Terra.
Queremos melhor pretexto para o dinamismo poético-profético-apostólico?
Mas há mais. Enquanto os profetas antigos tinham uma missão provinda dum passado teofânico, mas nubloso, com vista à aquisição das coisas que iriam acontecer, o apóstolo é enviado porque foi constituído testemunha ocular e auditiva (ou equivalente nos seus fundamentos) de factos já ocorridos que persistem no presente e permitem um futuro assente não apenas na esperança, que se reforça como força motriz, mas sobretudo na abundância da caridade divina que se torna mandamento irrecusável com intensidade pessoal e abrangência universal tornada marca indelével e contagiante dos novos seguidores, discípulos e apóstolos – quiçá mártires até ao sangue ou professores da fé até à entrega ilimitada, heroica e docente.
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Poetas-profetas discípulos-apóstolos, mártires-professores da fé rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Quererem diminuir-se para que Ele cresça. Não aprisionam a mensagem, o mistério, o projeto. Comunicam-no, divulgam-no, consolidam-no, celebram-no.
Trocam os tapetes pelo chão batido. Solitários, não se vergam aos homens; só obedecem a Deus, que marca o compasso do próprio coração; indomáveis, revoltam-se com o trivial; irrequietos, perturbam o normal. São verdadeiros revolucionários da ternura e da misericórdia de Deus. Fazem a poesia da vida e transformam a desgraça em sublimação do desígnio divino presente nos homens mais pobres, doentes, descartados ou no coração das almas generosas, dedicadas. De gente dispersa constroem a comunhão, com indivíduos isolados fazem comunidade viva na fé, na esperança e no amor. É a verdadeira poesia factiva!
Poetas-profetas discípulos-apóstolos, mártires-professores da fé não defendem a própria reputação. Alvos fáceis dos ímpios quando negam a história, só as gerações futuras lhes fazem justiça. Pedras do meio do caminho incomodam; indestrutíveis, semeiam trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário, mesmo que perturbado pelo crescimento irritante da cizânia.
Poeta-profeta discípulo-apóstolo, mártir-professor da fé é alquimista, pois faz das palavra poção encantante e o seu feitiço condimenta a vida. Cria sabores exóticos; usa verbo forte, inebria a imaginação e gera o sonho. Conhece o segredo de transformar o transcendental no plausível. Alado, vive nas nuvens, mantém parceria perpétua com os anjos e adora a Deus em espírito e verdade, na intimidade do quarto, no interior do Templo, no silêncio das montanhas ou no bulício das praças. Escuta a bruma do vale, agasalha-se sob o manto platinado da lua e expõe-se ao fulgor e calor do sol. Não teme ausências e a solidão não o intimida. É selvagem como o tigre, altivo como a águia e acutilante ou encantador como a serpente.
Poeta-profeta discípulo-apóstolo, mártir-professor da fé nascera no pé do arco-da-velha; salvo das águas, cresce como o cedro do Líbano; sensível, plora com o dedilhar da harpa; torna-se parceiro dos humildes, dos mansos e dos puros de coração. Contudo, o seu destino é a cruz.
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Que de junto de São Pedro e imerso na sua Cultura, Dom José Tolentino, brilhe com a poesia, a profecia e o apostolado.
2018.07.02 – Louro de Carvalho

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Desafios para uma Igreja Semper Renovanda

Desafios para uma Igreja ‘Semper Renovanda’ – Secularização, Diálogo, Discernimento” é o tema geral das jornadas de atualização do clero das dioceses do Sul – Évora, Setúbal, Beja e Algarve – com cerca de uma centena de participantes, que o Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE) está a organizar já em 11.ª edição anual (desde 2008), desta feita, em Albufeira, de 29 de janeiro a 1 de fevereiro.
Entre os oradores convidados, conta-se o Cardeal Gianfranco Ravasi, Presidente do Conselho Pontifício da Cultura, que proferirá, no dia 30 de janeiro a conferência “Diálogo: a nova postura de uma Igreja em saída” e, no dia 31, a conferência “A evangelização da Cultura: desafio e tarefa ingente”. Para lá deste responsável da Santa Sé, as jornadas de formação do clero do Sul contarão ainda com a intervenção do teólogo Juan Pablo García, do investigador Sérgio Ribeiro Pinto e do antigo comissário europeu João de Deus Pinheiro, entre outros.
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Assim, o vasto programa é preenchido pelas seguintes rubricas;
No início da tarde do dia 29 de janeiro, teve lugar o acolhimento aos participantes e a sessão de abertura, a que se seguiu, pelas 16 horas, a conferência “Vaticano II, sinal de uma Igreja aggiornata, num Mundo em mutação”, por Juan Pablo Garcia, religioso da Ordem Trinitária e professor da Universidade Pontifícia de Salamanca, após o que se procedeu ao trabalho de grupos, seguido de diálogo com o conferencista. E o primeiro dia finalizou com a oração litúrgica de Vésperas.
O dia 30 principiou com a oração litúrgica de Laudes. Às 9,30 horas foi proferida a conferência “As múltiplas raízes da Secularização nos países de tradição religiosa cristã”, por Sérgio Pinto, investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. Às 11,30 horas, foi a conferência “Os desafios que a Europa e o projeto europeu nos colocam”, por João de Deus Pinheiro, antigo Ministro da Educação, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo Comissário Europeu. Às 15 horas, o Cardeal Gianfranco Ravasi proferiu a conferência “Diálogo: a nova postura de uma Igreja em saída”. Procedeu-se ao trabalho de grupos, seguido de diálogo com o conferencista. E os trabalhos do segundo dia terminaram com a oração litúrgica de Vésperas e a celebração da Eucaristia.
No dia 31, começar-se-á com a oração litúrgica de Laudes. Às 9h30, será proferida a segunda conferência do Cardeal Gianfranco Ravasi, esta em torno do tema “A evangelização da Cultura: desafio e tarefa ingente”. À tarde, haverá duas mesas redondas sobre o tema “Diálogo em várias frentes”: A primeira, “Diálogo em várias frentes I”, abordará as questões da ética e ciências da vida, com os especialistas Michel (fundador e diretor do Instituto de Estudos Fenomenológicos, Ontológicos e Axiológicos, hoje Centro de Ética e Ontologia, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa) e Isabel Renaud (professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa), e do diálogo inter-religioso, com Susana Mateus, investigadora do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa. A segunda, “Diálogo em várias frentes II”, incidirá sobre as dimensões dos cristãos na política, com José Filipe Pinto, investigador e coordenador do Centro de Investigação em Ciência Política, Relações Internacionais e Segurança, e da Educação e Ensino, com o antigo Ministro da Educação e ex-Presidente do Conselho Nacional de Educação, David Justino. E o terceiro dia terminará com a oração litúrgica de Vésperas e a celebração da Eucaristia.
A 1 de fevereiro, às 7,30 horas, recitar-se-á a oração litúrgica de Laudes e celebrar-se-á a Eucaristia. Às 9,30 horas, desenrola-se o painel “Experiências positivas de diálogo e evangelização, numa sociedade multicultural, multirreligiosa e secularizada”, constituído por representantes das dioceses envolvidas. E o encerramento dos trabalhos está previsto para as 12,30 horas.
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Sobre a participação do Presidente do Conselho Pontifício da Cultura – um dos oradores do evento, que vai sublinhar aos participantes a importância do “diálogo” enquanto “postura de uma Igreja” que quer estar permanentemente “em saída”, como refere o Papa Francisco”, e a “evangelização da cultura” como um dos desafios mais “ingentes” da Igreja Católica na atualidade – disse à Rádio Renascença o cónego José Morais Palos, Presidente do ISTE e responsável pela organização das jornadas:
É uma das pessoas mais cultas da Igreja […] Vem-nos falar como a Igreja se pode caraterizar e como esta evangelização da cultura é sempre um desafio.”.
Quanto às Jornadas, refere que, desde 2008, “nestes moldes, procuramos promover o estudo, a reflexão, a celebração e o convívio entre os participantes”, acentuando a importância dos temas e a necessidade de “corresponderem, quer do ponto de vista teológico, quer do ponto de vista pastoral, a desafios que se colocam à Igreja” e que podem ser úteis à atividade pastoral nesta sociedade secularizada.
Advertindo que “ou nos situamos neste mundo secularizado e procuramos dialogar com ele nas suas diferentes manifestações ou, então, fechamo-nos no nosso castelo”. questiona: “Mas, depois, onde está o desenvolvimento da pastoral e a evangelização?”.
Realçando a importância de se refletir sobre um tema desafiante que postula “avaliação e muito diálogo”, o Presidente do ISTE acredita que “há muitas pontes” e que é possível a Igreja posicionar-se “sem abdicar da nossa matriz como pessoas de fé e que procuram levar Cristo a todos os ambientes.”
E sublinha que, da História à Política, da situação de Portugal na Europa à Edução, passando pelo Diálogo Inter-religioso, os temas são variados e reúnem especialistas diversos que se debruçam sobre “temas que se colocam de forma diferente e com os quais a Igreja tem de estabelecer o diálogo”.
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Para já, é de destacar o que o Padre Juan Pablo García disse ao clero do sul do país, sublinhando que a Igreja está a viver com o Papa Francisco uma nova fase do acolhimento às diretrizes emanadas do Concílio Vaticano II (1962-1965).
O sacerdote da Ordem da Santíssima Trindade explicou que esta etapa, vivida na atual “cultura da pós-verdade”, se carateriza, sobretudo, pelo “regresso ao Evangelho” e sustentou que “é uma releitura do evangelho à luz da cultura contemporânea”, considerando que “o concílio continua a ser um desafio para a igreja atual” no momento em que vivemos o período da “pós-verdade”.
Com efeito, segundo o ilustre conferencista – que lamentou ser esta última designação do tempo atual caraterizada pelo insulto e por “difamar com mentiras” – “a Igreja esteve implicada com a modernidade, com a pós-modernidade e hoje diríamos também com as respostas à cultura da pós-verdade porque esta é a palavra-chave do ano 2017”.
O teólogo, que abordou o tema “Vaticano II, sinal de uma Igreja aggiornata, num Mundo em mutação”, disse que o Papa Francisco, apesar de não ter participado no concílio, “fá-lo visível” “a partir da sua vida e do seu modo de ser pastor”.
Considerando que a crise atual é também a do homem “porque neste caso é o homem que está doente”, o teólogo disse que “o acolhimento ao Concílio Vaticano II e a sua atualidade neste mundo em transformação passa por aceitar que vivemos em crise, não da Igreja mas de Deus”.
Neste sentido, disse ser preciso “reconhecer a debilidade da fé de muitos crentes”, da Igreja e das paróquias, pois “hoje vivemos, não uma crise existencial, mas uma crise eclesial, uma crise de Deus e uma debilitação da vida teologal dos crentes”, pelo que entende ser “muito importante” introduzir o tema de Deus na sociedade atual. Para isso, defendeu a criação de “escolas de oração”, de “lugares onde se faça a experiência de Deus através da palavra” e apelou a “uma espiritualidade forte”.
O orador aludiu à necessidade de “recuperar a sinodalidade”, lembrando que o termo “significa caminhar juntos”, ou seja, “com e ao lado uns dos outros” e “não uns em cima e outros em baixo, de forma piramidal”. E frisou que “a sinodalidade é o contrário de uma Igreja piramidal”, garantindo que o modelo sinodal supera o “problema do clericalismo na Igreja”.
Por outro lado, Pablo García considerou que esta fase se carateriza também por levar à prática as “exigências do Batismo e da Eucaristia” que induzem a Igreja a “passar de uma vida pastoral de manutenção a uma pastoral missionária”, indo às periferias como pretende o Papa. E advertiu para o facto de a Igreja se ter convertido “ela mesma numa periferia” e não poder “evangelizar se não se deixar evangelizar primeiro”.
Neste âmbito, alertou para a necessidade de preparação. Com efeito, “o Papa atual insistiu que não quer ‘príncipes’ nem carreiristas na Igreja, mas que a Igreja necessita de pastores com cheiro a ovelha”. Porém, o orador acrescentou: “com cheiro a biblioteca, porque sem estudo o cheiro a ovelha não chega”. Considerou, assim, que “temos também de parar para estudar”, dado que, “para podermos ir às periferias existenciais e até periféricas, não podemos ir de qualquer maneira”.
O conferencista referiu ainda a importância do “pluralismo de eclesiologias”, recordando que “o contrário da pluralidade é a uniformidade”. Ora, como observou, importa “manter a unidade” nesta pluralidade, onde se requer a “corresponsabilidade de todos” e o predomínio da caridade”, tomando-se consciência de que hoje vivemos na “sociedade do descarte e dos invisíveis”. E sustentou que a globalização que interessava era a que nos faz “mais irmãos” e não a da busca desenfreada do dinheiro e do poder.
O teólogo destacou ainda a “importância do ecumenismo para a evangelização”, advertindo que a “falta da unidade” entre cristãos “é um obstáculo” àquele desígnio. Verificando que se está a “matar cristãos porque acreditam em Cristo”, defendeu que “o martírio será o futuro do ecumenismo”. Na verdade, “há um ecumenismo de sangue e um diálogo inter-religioso de sangue”, como assegurou, frisando haver “irmãos cristãos que dão a vida por pessoas que não são cristãs”. Neste sentido, disse que “continua a ser muito importante o diálogo com o mundo”, mormente ao nível inter-religioso.
Relevando a “importância do laicado” na Igreja e no mundo, desafiou a “superar todo o individualismo da fé e a recuperar a dimensão comunitária da fé”. E terminou lamentando que não haja “tempo para as perguntas existenciais de hoje” e exortando a que provoquemos “grandes interrogações às pessoas de hoje”.
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A insistência no ser e papel do laicado, na unidade pela diversidade, regada pelo diálogo ecuménico e inter-religioso; a pertinência da valorização da sinodalidade; o regresso ao Evangelho e ao desempoeiramento das doutrinas e das práticas; a perspetiva da Igreja missionária em saída, evangelizada e evangelizadora – tudo isto são pontos a ter em conta na formação contínua dos pastores que se desejam com cheiro a ovelhas e a biblioteca. A proximidade e o profetismo não dispensam o estudo; e o estudo, animado pela fé pessoal e comunitária que se faz oração, esclarece e reforça as vias da proximidade e do profetismo.  

2018.01.30 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Fátima: um projeto de espiritualidade e formação aberto ao público

O Santuário de Fátima faz jus à experiência acumulada ao longo de anos, nomeadamente nos sete a que respeita a celebração do Centenário das Aparições na multiplicidade das vivências que acolhe e promove, e decidiu criar um dinamismo formativo a que denomina “Escola do Santuário”, que assume a modalidade de “Itinerários de aprofundamento da espiritualidade da Mensagem de Fátima”
“Escola do Santuário”, na ótica dos seus promotores, é um projeto de espiritualidade e formação aberto ao público em geral.
E, nesta ordem de ideias, o Santuário de Fátima promove já a partir deste mês de janeiro um novo projeto de espiritualidade e formação intitulado “Escola do Santuário”, cujas atividades se realizarão na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo.
A “Escola do Santuário” propõe vários itinerários abertos à participação do público em geral, num máximo de 40 participantes por sessão. Estes itinerários formativos são alicerçados na ideia de que Fátima é um lugar de experiência de Deus, onde cada peregrino é convidado a experimentar esta presença.
A missão da “Escola do Santuário” realiza-se na descoberta e aprofundamento da Mensagem de Fátima e da sua espiritualidade promovendo a iniciação, o crescimento e o amadurecimento espiritual a partir da Mensagem e o reconhecimento da eclesialidade da Mensagem e da sua relevância pastoral, bem como a leitura da Mensagem em relação com experiências significativas da contemporaneidade.
Nos vários itinerários a realizar, além dos momentos orantes e das sessões orientadas em sala, de deslocações a diversos lugares do Santuário, a Aljustrel e aos Valinhos, os participantes hão de poder interpretar e refletir sobre Maria a partir de outras linguagens, nomeadamente a linguagem artística presente nos vitrais da Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que em si encerram uma verdadeira catequese sobre o Acontecimento e a Mensagem deixada neste local por Nossa Senhora há cem anos.
Neste primeiro ano de 2018, em consonância com o plano pastoral em boa hora apresentado, o Santuário propõe a realização de três itinerários de dois dias abertos ao público em geral, em janeiro, março e abril, cada um deles com um tema diferente. Propõe também os Encontros de Espiritualidade para Aposentados, com a duração de quatro dias, em março. Finalmente, em maio, o itinerário maior, durante uma semana.
Já em janeiro, entre os dias 27 e 28, o tema será: “Nossa Senhora de Fátima - Qual Maria?”. Desta pergunta do Papa Francisco se constrói o primeiro itinerário, que tem por objetivo aprofundar as interrogações deixadas pelo Papa na Capelinha das Aparições, na primeira peregrinação internacional do Centenário, para corrigir alguns desvios da devoção mariana e descobrir Maria como “uma Mestra da vida espiritual”; a “bendita por ter acreditado”; e a “Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja Orante”.
Em março, a Escola proporá um itinerário de aprofundamento da dimensão trinitária e da dimensão eucarística da mensagem de Fátima, sob o tema genérico “Trindade e Eucaristia, adoração e solidariedade”. Este Itinerário realiza-se nos dias 17 e 18 de março.
Nos dias 21 e 22 de abril, a Escola debruçar-se-á sobre o “Sofrimento e liberdade, sacrifício e reparação”, aprofundando, deste modo, o sentido do sofrimento e do sacrifício na espiritualidade da Mensagem de Fátima.
O último Itinerário da Escola do Santuário previsto antes do verão realizar-se-á entre 21 e 27 de maio e terá como tema “O Rosário, itinerário evangélico de vida teologal”. Neste, durante uma semana, os participantes são convidados a refletir sobre o sentido do Rosário como prática de oração mariana cristocêntrica e a sua importância na Mensagem de Fátima. O seu objetivo é que cada um deles possa experimentar o valor desta oração na sua vida pessoal e comunitária.
Além destes fins de semana temáticos, no mês de março, de 5 a 8, de 12 a 15 e de 19 a 22, serão propostas três edições de um itinerário dirigido a um público específico: pessoas com mais de 65 anos, a viver a aposentação, reforma ou jubilação. Serão os “Encontros de espiritualidade para aposentados”, que visam aprofundar o conhecimento do significado do acontecimento Fátima nos dramas do século XX e do novo milénio. Além disso, proporcionarão uma descoberta da Mensagem como fonte de espiritualidade para viver de forma gratificante e fecunda a aposentação.
A equipa da “Escola do Santuário” integrará o capelão Padre José Nuno Silva, responsável pela pastoral da Mensagem de Fátima; a Irmã Ângela Coelho, ex-postuladora da Causa de Canonização de Francisco e Jacinta Marto; a Irmã Nanci Leite, da congregação Filhas do Coração de Maria, Pedro Valinho Gomes, teólogo, e André Pereira, assessor da reitoria do Santuário de Fátima.
O período de inscrições para cada uma das propostas decorre durante o mês anterior ao da sua realização, através dum formulário próprio disponível. As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias e sujeitas a confirmação. Cada itinerário aceitará um número máximo de 40 participantes.
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O período para as inscrições para  a primeira sessão sob o tema “Nossa Senhora de Fátima – Qual Maria?” (Papa Francisco) terminou no passado dia 31 de dezembro.
Dado o seu interesse espiritual, formativo e motor do discernimento, alude-se aqui à questão lançada pelo Papa na noite de 12 de maio de 2017 – o móbil do primeiro tema desta escola.
Primeiro, toca a essencialidade do marianismo do ser cristão e do sentido da recitação do terço:
Na verdade, ‘se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele’ (Paulo VI, Alocução na visita ao Santuário de Nossa Senhora de Bonaria-Cagliari, 24/IV/1970). Assim, sempre que rezamos o Terço, neste lugar bendito como em qualquer outro lugar, o Evangelho retoma o seu caminho na vida de cada um, das famílias, dos povos e do mundo.”.
Depois, questiona a nossa postura de peregrinos com Maria e como a entendemos ou tratamos:
Peregrinos com Maria… Qual Maria? ‘Uma Mestra de vida espiritual’, a primeira que seguiu Cristo pelo caminho ‘estreito’ da cruz dando-nos o exemplo, ou então uma Senhora ‘inatingível’ e, consequentemente, inimitável? A ‘Bendita por ter acreditado’ (cf Lc1,42.45) sempre e em todas as circunstâncias nas palavras divinas, ou então uma ‘Santinha’ a quem se recorre para obter favores a baixo preço? A Virgem Maria do Evangelho venerada pela Igreja orante, ou uma esboçada por sensibilidades subjetivas que A veem segurando o braço justiceiro de Deus pronto a castigar: uma Maria melhor do que Cristo, visto como Juiz impiedoso; mais misericordiosa que o Cordeiro imolado por nós?”.
E faz a relação entre Maria e Deus e entre a justiça e a misericórdia relevando a supremacia da misericórdia como pauta da justiça de Deus:
Grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor – como mostra o Evangelho – que são perdoados pela sua misericórdia! Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Naturalmente a misericórdia de Deus não nega a justiça, porque Jesus tomou sobre Si as consequências do nosso pecado juntamente com a justa pena. Não negou o pecado, mas pagou por nós na Cruz. Assim, na fé que nos une à Cruz de Cristo, ficamos livres dos nossos pecados; ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado (cf 1 Jo 4,18). ‘Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes (…). Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização’ (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288).”.
E conclui exortando a que sejamos com Maria sinal e sacramento da misericórdia, podendo cantar como Ela as misericórdias de Deus, despojados de honrarias, e rezar ao Senhor sentindo a ternura da Mãe, que nos cobre com seu manto e nos põe junto do seu coração:
Possamos, com Maria, ser sinal e sacramento da misericórdia de Deus que perdoa sempre, perdoa tudo. Tomados pela mão da Virgem Mãe e sob o seu olhar, podemos cantar, com alegria, as misericórdias do Senhor. Podemos dizer-Lhe: A minha alma canta para Vós, Senhor! A misericórdia, que usastes para com todos os vossos santos e com todo o vosso povo fiel, também chegou a mim. Pelo orgulho do meu coração, vivi distraído atrás das minhas ambições e interesses, mas não ocupei nenhum trono, Senhor! A única possibilidade de exaltação que tenho é que a vossa Mãe me pegue ao colo, me cubra com o seu manto e me ponha junto do vosso Coração.”. 
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E, nesta linha de escola e arejamento doutrinal e espiritual que o Santuário pratica, pelo menos, desde 1967, não será descabido mencionar as recoleções e retiros organizados para o clero com a anuência dos bispos de Portugal, abertos aos padres diocesanos e religiosos de todo o país que neles queiram participar. Assim, após a celebração do Centenário das Aparições, o Santuário de Fátima propõe-se “Dar graças pelo dom de Fátima”. Continua, pois, a aprofundar e a viver os dons que a Mãe concedeu à Igreja e à humanidade, a acolher e a corresponder ao desafio a sermos mensageiros, intercessores e construtores da paz nos corações e nas relações entre as pessoas, os grupos e os povos, como fizeram os santos Francisco e Jacinta e a Irmã Lúcia.
Ao apresentar o calendário das recoleções e retiros para 2018 em Fátima, o Santuário convida os sacerdotes a participarem, deixando-se encontrar e envolver pelo manto materno de Maria. A escuta e a meditação da Palavra de Deus, a oração e a adoração eucarística, a possibilidade de celebrar o sacramento da reconciliação, recebendo o abraço misericordioso de Deus, e o encontro fraterno com outros sacerdotes são momentos de graça assim proporcionados. Deste modo, quem participa nestes momentos sairá fortalecido para a missão pastoral e obterá maiores frutos para o Reino de Deus.
As recoleções, que não carecem de inscrição prévia, começam às 10,30 horas, com a recitação da Hora Intermédia, e terminam com o almoço. Realizam-se na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo. A de 8 de janeiro é orientada pela Doutora Maria do Rosário Soveral; a de 5 de fevereiro, por Dom Manuel Pelino Domingues; a de 5 de março, pelo Padre Manuel Armindo Pereira Janeiro; a de 7 de maio, pelo Padre Tiago Alexandre de Jesus Silva; a de 4 de junho, por Frei Bruno Andrade Peixoto, OFM; a de 2 de julho, pelo Padre Joaquim Augusto Nunes Ganhão; a de 6 de agosto, pelo Padre José Manuel Victorino de Andrade; a de 3 de setembro, pelo Padre Francisco António Clemente Ruivo; a de 1 de outubro, pela Irmã Maria Amélia da Costa, CONFHIC; a de 5 de novembro, pelo Padre Gonçalo Corrêa Mendes Teixeira Diniz; e a de 3 de dezembro, pelo Padre Jorge Manuel Faria Guarda.
Já os retiros – cuja inscrição deverá ser feita, por escrito, até 10 dias antes de cada data, para Serviço de Alojamentos, Santuário de Fátima 2496-908 FÁTIMA ou para seal@fatima.pt principiam com o jantar do primeiro dia, às 20 horas, e terminam com o almoço do último dia, às 12 horas, na Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo. O de 9 a 13 de julho é orientado pelo Padre Vicente Nieto Moreno; o de 15 a 19 de outubro, pelo Padre Dário Simões da Costa Pedroso, SJ; o de 5 a 9 de novembro, pelo Padre Abílio Pina Ribeiro, CMF; e o de 19 a 23 de novembro, por  Dom Gilberto Canavarro dos Reis.
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E continuam: as visitas ao Museu do Santuário de Fátima, a organização de exposições temáticas temporárias; os filmes; os serviços de arquivo e biblioteca; e as conferências – tudo no âmbito da cultura e formação que o Santuário se propõe.
Em relação à exposição temporária evocativa da aparição de outubro de 1917 “As cores do Sol: a luz de Fátima no mundo contemporâneo”, deve dizer-se que se encontrará encerrada nos dias 8 a 10 de janeiro de 2018, para trabalhos de conservação e restauro. Porém, depois, continuará disponível até 31 de outubro de 2018, no Convivium de Santo Agostinho, Basílica da Santíssima Trindade, das 9 às 19 horas no regime de entrada livre.

Estão previstas visitas guiadas temáticas a 2 de maio, 6 de junho, 4 de julho, 1 de agosto, 5 de setembro e 3 de outubro de 2018, das 21,15 às 22 horas. E está disponível na Net a “visita virtual”.

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E ainda:
A Casa de Retiros de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima, acolhe o XI Encontro de Reitores dos Santuários nos próximos dias 8 e 9 de janeiro – um encontro de caráter formativo, que, nas edições anteriores contabilizou quase 80 responsáveis por santuários.
Dia 8, o encontro tem início com o almoço e o acolhimento aos participantes. Pelas 15 horas, o Padre Carlos Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, fará a primeira conferência do encontro onde falará de “Propostas de oração nos Santuários”, prosseguindo o encontro com outra conferência pelas 17 horas e a assembleia geral pelas 18,45 horas.
Dia 9 de janeiro, a manhã inicia com a oração laudes, seguindo-se uma mesa redonda com os animadores litúrgicos, a que se seguirá a partilha de experiências pastorais de cada santuário.
A Capelinha das Aparições acolhe pelas 12,30 horas a Eucaristia presidida por Dom António Vitalino Dantas, Bispo emérito de Beja e vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.
A Associação dos Reitores dos Santuários de Portugal (ARSP) constitui uma resposta aos desafios lançados pelo documento do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes publicado em 8 de maio de 1999. E pretende ser um canal de trabalho em rede, querendo contribuir para uma maior eficácia na divulgação dos santuários.
O seu contributo é feito de várias maneiras, onde se destaca a partilha, a troca de experiências e a elaboração de projetos conjuntos.
Além do encontro de formação anual realizado na segunda e terça-feira a seguir à Festa do Baptismo do Senhor, a ARSP tem em curso vários projetos de divulgação, a nível nacional, do património cultural e espiritual dos santuários portugueses.
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De facto, muito se pode ensinar/aprender e viver no Santuário!


2018.01.05 – Louro de Carvalho